Seduc aprova em tempo recorde pedido de afastamento do presidente da Câmara de Itacoatiara

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) acatou no último dia 28 de setembro o pedido de afastamento do cargo de pedagogo, feito pelo presidente da Câmara Municipal de Itacoatiara (CMI), Benedito Cabral Rezende Junior, o Junior Galvão (PSC). O curioso é que ele havia apresentado o documento na véspera. O blog apurou que nestes casos a apreciação demora até dois meses, se percorrer o trâmite normal, mas houve recomendação superior para que a situação dele fosse resolvida de imediato, já que o vereador responde a um processo na Casa por quebra do decoro parlamentar, em função o acúmulo irregular de cargos.

No dia 17 de junho a gestão da escola Maria Rodrigues Tapajós, localizada no bairro da Redenção, em Manaus,  informou à Seduc que o vereador havia abandonado o cargo de pedagogo, gerando um processo administrativo (PAD) sob o número 01.01.028101.001703 / 2021-21, Isso depois de tentar por diversas vezes contato com ele, uma vez que, ao não pedir afastamento, o parlamentar continuava recebendo o salário normalmente.

Junior Galvão ainda tentou justificar a situação em vídeo divulgado logo após a denúncia. Ele afirmou na peça que tirou férias da escola, depois licença especial e por fim argumentou que estava trabalhando em home office. A legislação permite que o vereador exerça outras funções, desde que o faça em horário diferente daquele estabelecido para as sessões plenárias. Ocorre que Itacoatiara fica a 267 quilômetros de Manaus e seria impossível que ele comparecesse diariamente para trabalhar na escola.

A denúncia do acúmulo ilegal de cargo pelo presidente da CMI pegou a bancada de apoio ao prefeito Mário Abrahim (PSC) de surpresa, no momento em que ela se mobilizava para cassar o mandato do vereador Robson Siqueira Junior (PV), o único que faz oposição na Casa, pelo mesmo motivo. Para evitar que os dois processos corressem paralelamente, o chefe do Executivo mandou seus apoiadores correrem com o afastamento do opositor, o que gerou uma série de atropelos que acabaram causando a anulação da sessão em que ele foi cassado pela Justiça.

O prefeito, que está conhecido na cidade como Mário “Paraguaçú”, pela forma como administra, assemelhando-se ao personagem fictício da novela “O Bem Amado”, de Dias Gomes, está sendo convencido por alguns vereadores a abandonar a ideia de cassar Siqueira Filho, para preservar Junior Galvão, que por sua vez já vem sendo apelidado com o nome de outro personagem da cidade de Sucupira, o “Dirceu Borboleta”, graças à sua absoluta subserviência ao chefe do Executivo.

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