Um breve histórico recente da política amazonense, para Marcelo Ramos se situar

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Marcelo Ramos fez um post em que condenava o Holanda pela “miopia” política, por não enxergar uma “renovação” que estaria a caminho e prever disputas futuras entre os mesmos caciques que hoje mandam na política local. E o blogueiro se penitenciou, dando razão ao ex-deputado. Uma breve análise histórica, entretanto, mostra que as coisas não são bem assim.

Tomemos apenas Manaus como ponto de partida, perpassando as eleições estaduais, para comprovar a teoria de que a renovação política é lenta e complicada por aqui.

Em 1985 a cidade foi às urnas, pela primeira vez após a redemocratização, eleger seu prefeito. Escolheu Manoel Ribeiro, então vice-governador do Estado, que praticamente não teve adversários. Em 1988, arrependida e decepcionada, a população colocou Artur Neto na prefeitura pela primeira vez. Os “analistas” logo bradaram que uma renovação estava a caminho.

Quatro anos mais tarde, em 1992, arrependida e decepcionada mais uma vez, a população devolveu a prefeitura a Amazonino Mendes, que havia sido prefeito pela primeira vez dez anos antes, indicado pelo então governador Gilberto Mestrinho. O “Negão” passou apenas um ano e quatro meses no Paço Municipal e saiu, entregando a gestão a seu vice, Eduardo Braga e elegendo-se governador pela segunda vez, com uma mão nas costas.

Eduardo governou sob a batuta de Amazonino e passou a prefeitura a Alfredo Nascimento, vice governador de então. Repetia-se 1985, quando o governador elegeu prefeito o seu vice.

Com a popularidade conquistada enquanto prefeito, Braga rompeu com Amazonino, uniu-se às oposições e se lançou candidato ao governo. Mais uma vez a “inteligência” baré alardeou que a renovação estava chegando, por vias transversas. Qual o que! O “Negão” derrotou o ex-pupilo duas vezes seguidas, conquistando a reeleição para o governo em 1998 e reelegendo seu novo queridinho, Alfredo, prefeito de Manaus.

Braga só conseguiu voltar ao poder com o apoio de Amazonino, em 2002.

Dois anos depois, Serafim Correa protagonizou uma das mais surpreendentes viradas na história política do Estado e conquistou a prefeitura. Os “analistas” saudaram sua vitória como a chegada da renovação, finalmente. Nada disso! Arrependida e decepcionada mais uma vez, a população devolveu a prefeitura a Amazonino Mendes, em 2008, depois de reeleger Braga ao governo, em 2006.

Em 2012, mais uma vez arrependida e decepcionada, a população escolheu a chapa Artur/Hissa Abraão para governá-la. O jovem vice havia sido a terceira via na eleição estadual de 2010, quando o grupo do poder reelegeu Omar Aziz ao governo, e surpreendeu com uma votação expressiva. Saudou-se mais uma vez a “renovação”, mas ela não veio. Os dois romperam no meio do caminho e as cartas se embaralharam de vez.

Veio 2014 e a disputa principal ficou entre dois ex-aliados, mais uma vez, assim como ocorreu em 1998 (Amazonino x Eduardo), 2002 (Eduardo x Mestrinho), 2006 (Eduardo x Amazonino) e 2010 (Omar x Alfredo). Desta vez José Melo, que era vice de Omar, enfrentou e venceu Eduardo, o antigo benfeitor dos dois. Marelo Ramos repetiu Hissa como terceira via e agora tenta se qualificar para a disputa da prefeitura.

Vejam que a história relata um massacre do grupo surgido em 1982, com Gilberto Mestrinho à frente. Houve breves hiatos de poder quando Artur e Serafim conquistaram a prefeitura, nada além disso.

Portanto, promover uma “renovação” pra valer no Estado – em Manaus, particularmente -, sem aliança com nenhuma das ramificações do grupo que comandou a política local nos últimos anos, não é uma tarefa fácil. Ainda mais porque os jovens promissores não rezam a mesma cartilha e não se unem para enfrentar os veteranos. E estes sabem tudo de bastidor, conhecem os humores da população, dominam os atalhos do poder.

Hissa, Marecelo, Rebecca Garcia e o vice-governador Henrique Oliveira são nomes novos, que têm ambições legítimas e querem alcançar o olimpo. Será preciso, entretanto, que tenham perspicácia e muita paciência para chegar lá. Nenhum deles atigiu ainda o patamar dos 500 mil votos, que transforma seu detentor em cacique.

Enquanto isso, é de se respeitar quem já chegou lá e considerá-los sempre favoritos para qualquer disputa doravante. Não se trata de miopia, mas sim da constatação de fatos. E contra fatos não há argumentos.

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