O projeto gratuito Alfabetização Aquática no Amazonas (Afam), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), está com inscrições abertas até sexta-feira (5) para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. Criado em 2025, o Afam oferece noções básicas de natação adaptadas à realidade amazônica, em que rios, igarapés, canais, lagos e praias fazem parte do cotidiano. As aulas têm como objetivo proporcionar mais segurança e confiança na água, e as inscrições devem ser realizadas pelo e-mail sabernadaramazonas@gmail.com
A atividade é realizada na Faculdade de Fisioterapia e Educação Física (Feff) da Ufam e conta com acadêmicos e professores de Educação Física. Eles ensinam os jovens a desenvolver habilidades para não se colocarem em situações de risco na água e como agir caso enfrentem algum perigo. Essas aulas, com conteúdo teórico e prático, ocorrem em piscinas, rios e lagos.
O projeto tem apoio de instituições como o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Exército Brasileiro, Marinha e a Federação Amazonense de Remo, entre outras. Juntos, eles ajudam a transmitir noções básicas de sobrevivência aquática.
Para participar, é necessário atender aos seguintes critérios: não apresentar transtornos psicológicos; possuir um atestado de aptidão física emitido por um médico; contar com a autorização dos pais ou responsáveis.
O Afam é coordenado pelas professoras da Feff/Ufam, doutoras em Educação Física, Karla de Jesus e Kelly de Jesus, ambas com qualificações em desportos aquáticos. De acordo com Karla de Jesus, a iniciativa prioriza a alfabetização em ambiente aquático por meio do conhecimento em segurança e do domínio das competências aquáticas.
“O projeto atua para que o aluno saiba reconhecer os ambientes que oferecem o risco de afogamento e como agir para proporcionar a segurança de parentes e pessoas de convívio próximo. O maior objetivo é, por meio da multidisciplinaridade de conhecimentos associados, contribuirmos de alguma forma com a redução dos casos de afogamento na região que apresenta números elevados em âmbito nacional.”
Afogamentos
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 2025, que analisam a última década, o Brasil registrou 71.663 mortes por afogamento em todo o território nacional. O Amazonas aparece entre os estados mais afetados, com 2.872 mortes, sendo 951 apenas em Manaus. Crianças e adolescentes estão entre as principais vítimas: entre 2010 e 2023, ocorreram 12.662 mortes (17,7%) envolvendo jovens de 10 a 19 anos e 5.878 mortes (8,2%) de crianças de 1 a 4 anos.
Para a professora Kelly de Jesus, é fundamental que crianças e adolescentes tenham acesso à alfabetização aquática no Amazonas, considerando que a região, marcada por rios e vastos cursos d’água, apresenta características que ampliam os riscos de afogamento, especialmente entre os mais jovens.
“A importância de ir além da prática física na alfabetização aquática se justifica diante do cenário de afogamentos no Amazonas, onde o contato com o ambiente aquático muitas vezes é inevitável. O projeto foca na adaptação aquática de excelência e em técnicas de nado, mas também promove conhecimento sobre as particularidades do contexto amazônico. Essa abordagem transforma as atitudes dos participantes, substituindo o excesso de confiança pelo respeito ao rio e pela percepção dos perigos.”
“O resultado final é a mudança de comportamento, em que o aluno aprende a evitar o risco, a manter a calma e a agir com segurança em situações de emergência. A segunda edição do projeto assume esse papel extensionista e social urgente, atuando na prevenção por meio da educação aquática integral”, conclui.
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