Sem mandato e com medo do que um sucessor adversário possa fazer, Melo aposta todas as fichas em Marcelo Ramos

O ex-governador José Melo vinha adotando nos últimos tempos uma postura extremamente arrogante com aliados e adversários, considerando-se inatingível e “incassável”, devido às articulações que tentava fazer em Brasília. Atingido em cheio pela cassação definitiva do mandato e apeado do poder, ele desembarcou ontem em Manaus com uma ideia fixa na cabeça: convencer seu grupo político a lançar e apoiar a candidatura do pupilo Marcelo Ramos para sucede-lo no mandato.

Melo tem suas razões para se jogar de corpo e alma nessa articulação. A principal delas é o temor de que o senador Eduardo Braga, lançando-se candidato, vença a eleição e promova uma “caça às bruxas”, colocando a público os intestinos mais apodrecidos do antecessor. O governador cassado entende que Marcelo Ramos seria o único capaz de evitar que isso acontecesse, porque aparece nas pesquisas no segundo lugar e, se tivesse o apoio da máquina, agora comandada pelo deputado David Almeida, teria a chance de dar o capote em Braga.

O problema é que a maior parte do grupo não confia em Ramos, especialmente alguns deputados que conviveram com ele na Assembleia legislativa e o consideram arrogante e capaz de passar por cima de qualquer um para fazer valer seu projeto de poder.

Melo terá ainda que convencer o senador Omar Aziz, que tem intenção de voltar ao Governo em 2018 e vê em Marcelo uma ameaça a este projeto. E também terá que dobrar o deputado Alfredo Nascimento, presidente do partido de Marcelo, o PR. Este último não abre mão de tentar a volta ao senado em 2018 e vê nesta eleição suplementar uma chance de projetar seu nome.

O governador cassado desenvolveu com Marcelo Ramos uma relação de amizade e companheirismo nos últimos meses. Os dois se falavam com frequência e Melo sempre dizia ao jovem político que queria vê-lo como seu sucessor no cargo. Esta proximidade chegou a causar ciúmes em outros aliados da dupla, que viam com desconfiança a dobradinha. Agora fragilizados, os dois encontrarão muita dificuldade de emplacar o projeto que vinham acalentando.

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