Redução da maioridade é realidade e já penaliza jovens com a AIDS

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É que meu parceiro me banca e eu preciso dessa grana pois ajuda no sustento da minha família. (Alessandro*, ao relatar sua relação homoafetiva com um adulto de quem contraiu HIV);

As unidades de saúde não estão preparadas e a sociedade me discrimina na hora que eu preciso contar com o tratamento e orientação. (Sidnei*, com um misto de angústia e revolta falando sobre a atenção que esperava ter para seu drama);

Minha família não liga pra mim. Tenho somente 16 anos e peguei HIV na minha primeira relação sexual. (Adriana*, se sentido abandonada).

Relatos como estes,  com traços de angústia, medo e revolta são mais que comuns e partem de adolescentes portadores de HIV/AIDS e foram captados durante consultas realizadas em um ambulatório público de atenção especializada em DST em Manaus, capital que se destaca em 20 lugar no incômodo e desafiador ranking brasileiro de detecção de HIV/AIDS ( Porto Alegre está em 1o lugar) entre adolescentes.

Dados do Ministério da Saúde atestam que 917 casos de AIDS na faixa etária de 13 a 19 anos foram detectados no Brasil em 2013.

Em Manaus, na faixa etária de 10 a 19 foram diagnosticados 21 casos novos de HIV no ano passado e, em todo o estado do Amazonas, foram registrados 34 casos de AIDS na faixa etária de 15-19 anos, índices no mínimo preocupantes para a saúde pública e especialmente para os adolescentes e jovens.

Estudos estatísticos e epidemiológicos apontam para uma curva ascendente no índice de detecção da doença na nossa capital se comparada com São Paulo por exemplo, com uma população dez vezes maior.

E qual a causa provável desses índices crescentes e alarmantes que desfazem sonhos e destroem vidas?

Onde residem os erros e quais os culpados por essa tragédia entre jovens?

É pois o que vamos tentar esmiuçar sem a menor intenção de atirar pedras porém, aguçarmos o senso crítico do leitor seja você adolescente, jovem, pais de família, profissionais da saúde, religiosos, educadores ou gestores públicos e todos quantos, conhecendo um pouco dessa sombria realidade, possam contribuir ao menos para a mitigação das causas e dos efeitos dessa doença sobre os jovens, futuro (quase perdido) da nossa nação.

Inúmeras são as razões (ou seriam desculpas?) admitidas pelos jovens para correrem o risco de não ao não se protegerem durante uma relação sexual. Dizem eles: -Era uma prova de amor; a gente deixou de lado a camisinha e ela passou a usar anticoncepcional; é uma doença banal e tratável; ela ou ele (parceiros) são muito novos para terem DST; ela ou ele me disse que não tem perigo pois se cuidam; camisinha tira o prazer; na hora H eu tava drogado(a) ou bêbado(a). E por aí seguem as mais diversas, ingênuas e arriscadas  versões para a falta de cuidado com a saúde sexual especialmente entre os jovens.

Esse quase negligenciamento pessoal, pois sabe-se que não há falta de preservativos e que os jovens na sua esmagadora maioria sabe dos cuidados a serem adotados durante as relações sexuais, soma-se ainda e terrivelmente, com as abordagens dirigidas a este segmento populacional por meio de campanhas educativas equivocadas e paliativas adotadas e pagas a peso de ouro pelo poder público, aliada ainda, ao apelo sexual, às mudanças comportamentais e sobretudo com o desvirtuamento e desmonte do núcleo familiar  fonte segura, na maioria das vezes, de ensinamentos, formação do caráter e dos primeiros passos na educação sexual.

A banalização do sexo, a busca pelo prazer sem (?) riscos, a precocidade sexual, os apelos à erotização desde a primeira infância e o avanço e oferta de tratamentos cada vez mais eficazes, formam o caldo de cultura ideal para a disseminação e o consequente  descontrole epidemiológico da doença  especialmente entre os adolescentes, traçando um quadro sombrio a nos forçar a refletirmos imediatamente sobre erros, equívocos e omissões se quisermos continuar a repetir o chavão de que “os jovens são o futuro”.

Até agora, nao vejo por parte do Ministério da Saúde, a utilização das estratégias e do poder disseminador das redes sociais como ferramenta de informação e educação na abordagem aos jovens, como instrumento dos mais acessíveis e eficazes para o combate e o controle do HIV/AIDS.

Muito antes que a sociedade e o parlamento começassem a discutir a alteração da legislação para punir nossos jovens com a redução da maior idade penal, milhares de adolescentes e jovens já foram antecipadamente punidos, até com a sentença de morte, contaminados com o HIV/AIDS. Uma pena!

Té logo!

(*) nomes fictícios
Fontes estatísticas:
Ministério da Saúde-SINAM/2014
Boletim Epidemiológico Fundação Alfredo da Matta.

Sds Ronaldo Derzy Amazonas

Ronaldo Amazonas, ex-diretor da Fundação Alfredo da Matta, um dos mais polêmicos ativistas da internet. Escreve sobre o que lhe vier à cabeça, sempre com uma pegada forte e opiniões muito próprias.

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