Quero meu país de volta 

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Começo a escrever esse artigo exatamente as 15:17 minutos de um  domingo eleitoral frenético portanto, nem sei ainda se haverá ou não segundo turno para presidente.

Foi em novembro do ano de 1978 que eu estreei nas urnas quando ainda se usava o voto em papel e a urna era de lona marrom. Muitos haverão de lembrar disso!

Eram eleições gerais no Brasil que naquele ano era dirigido pelo General Geisel e tínhamos apenas dois partidos-ARENA e MDB.

Particularmente para mim foi frustrante porque meu candidato a Deputado Federal perdeu a eleição no único voto que sufraguei por não concordar com os demais candidatos aos outros cargos.

Pois bem, faço essas considerações iniciais apenas para contextualizar em que ambiente vivíamos sob os auspícios de um governo de exceção porém, sem crise econômica ou social apesar dos acirramentos no limite do que era permitido ou divulgado à época, e, sem as paixões e sem as querelas as quais estamos vivenciando na eleição atual. E lá se vão mais de quarenta anos e mais de trinta pleitos eleitorais que tenho nas costas!

Não sou nem um pouco saudosista daquela época especialmente das perseguições políticas, da censura à imprensa e à arte, da edição de medidas de exceção, dos senadores e governadores biônicos, das universidades monitoradas, entre outras formas de cabresto político próprio dos movimentos revolucionários que se assomam de uma nação.

Quatro décadas depois duas das quais sob regime político democrático, eleições livres, imprensa, arte e cultura sem censura, respeito ao ir e vir, universidades plenas de autonomia,  PIB em alta, dentre outras conquistas, deparamo-nos com um momento singular onde as liberdades e direitos conquistados, transformaram-se em libertinagem política e cultural, em desavergonhada roubalheira, em caos econômico e sofrimento social de parcela da população desgraçadamente a mais vulnerável, em desvirtuamento comportamental nas escolas, na TV e em outros meios de comunicação social, na despudorada corrupção nas empresas estatais, no uso do caixa dois para desvirtuar a vontade do eleitor, no conluio entre empresários e políticos para sustentação do poder, nas fraudes milionárias das licitações públicas, no crescimento descomunal da violência, na liberação não autorizada das drogas, no avanço das facções criminosas do tráfico de drogas, na mistura deslavada do público com o privado para proveito próprio, da pobreza reinante, da educação pública caótica, da saúde pública em frangalhos, do enriquecimento ilícito de agentes públicos, da proliferação vergonhosa de partidos políticos que se abrem e se vendem qual mercadoria barata, de forças armadas em completa obsolescência, das fronteiras desguarnecidas, do império do coronelismo político nas regiões mais pobres, de um sistema parlamentar paquidérmico em todos os níveis, de uma justiça lenta, injusta e corrompida, de poderes egoisticamente separados e sem moral diante do povo, de um povo sem saneamento básico, das riquezas do nosso solo se esvaindo sem nenhum proveito do povo, da exploração da mão de obra, das instituições fiscalizadoras das leis e das que monitoram os gastos públicos divorciadas das suas finalidades mais nobres, das escolhas de ministros e magistrados para a justiça pelo modo do compadrio e não da meritocracia, de um congresso nacional totalmente manipulado pelo poder executivo e de um poder executivo refém de um parlamento fisiológico e ilegítimo, etc etc etc….

É, caríssimo leitor, passaria horas a fio dedilhando um textão mas quero finalizar do jeito que comecei exigindo o meu país de volta; p país que perdemos em meio ao caos e ao divisionismo político egotista e injusto; o país livre, soberano e democrático; o país que seus filhos e filhas lutam dia após dia para construir.

Té logo!

ET. Concluo esse artigo sabendo que a disputa eleitoral para presidente se dará entre os que infelicitaram a nação por meio da roubalheira e os que querem um país renovado, próspero e altaneiro. A decisão está nas mãos soberanas do eleitor.

Oremos!

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