A escolha do governador

Prosseguindo na esteira da eleição indireta para governador do Estado em agosto de 1950, para conclusão do mandato de Leopoldo Amorim da Silva Neves (o Pudico), e em lugar de Francisco do Areal Souto que, na condição de presidente da Assembleia Legislativa, havia assumido o exercício do cargo em meados de julho, avanço para contar alguns pormenores da situação, hoje inscrita na história política amazonense. 

A disputa foi travada entre udenistas e petebistas, tendo de entremeio os pessedistas e pedecistas, como se dizia à época para os membros da UDN, PTB, PSD e PDC, tudo porque em maio daquele ano havia sido firmado acordo político formal entre UDN e PTB para a formação da chapa de governador e senador para as eleições gerais de 3 de outubro de 1950, vagas a serem disputadas por Severiano Nunes e Leopoldo Neves, respectivamente.

Em meio aos trinta deputados da ocasião, havia Júlio Francisco de Carvalho Filho, que não era de maior destaque, mas era udenista e secretário da Mesa Diretora da Assembleia ao lado de Machado da Silva, a qual vinha sob a presidência de Areal Souto e depois de Jackson Cabral.

A disputa pelo mandato-tampão estava aberta, mas os “chefes de partidos” não se entendiam. A UDN queria manter-se no palácio do governo. O PTB queria retomar a posição deixada por Pudico. Em busca de conciliar a situação, o PTB se propôs a apresentar lista de nomes do partido para a UDN escolher em quem votar na escolha indireta na Assembleia. Caso não se entendessem, o PTB ameaçava romper o acordo antes firmado.

Em uma longa reunião na casa de Severiano Nunes, na Rua de Monsenhor Coutinho, que incluiu Vivaldo Lima e Leopoldo Neves, depois de muito vai-e-vem parecia ter chegado à definição da lista, mas um almoço no Palácio Rio Negro fez os udenistas retrocederem quanto a essa solução, para não concederem ao PTB o governo e o comando do pleito com a caneta e a chave do cofre em mãos.

No almoço, o deputado Josué Claudio de Souza sugeriu o nome do udenista Júlio de Carvalho para governador tampão, ficando “quase deliberado” pela UDN que esse seria o candidato. Vivaldo Lima, pelos trabalhistas, dizia desconhecer o almoço e reafirmava que seu partido apresentaria o candidato, e se a UDN não o apoiasse, romperia o acordo eleitoral. Foi então que o PTB apresentou os nomes de Jackson Cabral e Almir Neves como os únicos aceitáveis para o governo.

Fazendo cena, a UDN publicou nota na imprensa liberando a bancada para “escolha livre, dentro do maior espírito compreensivo”. Na hora da eleição secreta caiu a máscara: 17 deputados votaram em Júlio de Carvalho, o udenista, e um só voto para Almir Neves e os demais votos foram considerados em branco, em sessão presidida por Jackson Cabral e secretariada por Júlio e Jonas Paes Bareto.

Cumpriam o art. 30 da Constituição do Estado, contra as manifestações de Arthur Virgílio Filho, Plinio Coelho e Áureo Melo, que alegavam decurso de prazo para a eleição, mas prevaleceu a apuração feita por Aderson de Menezes e Josué de Souza. O juramento do novo governador foi logo em seguida à apuração e a transmissão do cargo aconteceu poucas horas depois, em Palácio Rio Negro.

O povo ficou sabendo por notícias de jornais e transmissão da Rádio Baré que irradiou o discurso de posse do novo governador que exerceria o mandato até 31 de janeiro de 1951, posse de Álvaro Maia que derrotou Severiano Nunes e Leopoldo Neves.

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