O prefeito de Coari, Adail Pinheiro Filho (PP), compareceu hoje à sede do Ministério Público para denunciar um esquema montado no município por opositores dele, que teriam a parceria do promotor local, Wesley Machado, para tirar da Prefeitura e do comando da Câmara Municipal local todo o grupo político que venceu as eleições de 2016 e hoje esrá responsável pela administração do município. Ele apresentou áudios e depoimentos para provar o que estava dizendo.
Nos últimos meses, o promotor Weslei Machado pediu a saída do prefeito, sua vice e do presidente da câmara em sete ocasiões, sempre alegando crime de improbidade administrativa.
Na semana passada, um conhecido opositor do prefeito, Joabe Rocha, mandou seu advogado procurar o prefeito para revelar o esquema, com medo dos desdobramentos. Segundo ele, o estagiário do Tribunal de Contas do Estado, Raione Queiroz, foi uma espécie de organizador do esquema, que consistia na apresentação de uma série de denúncias ao Ministério Público Estadual e Federal, assim como à Polícia Federal, que teria o objetivo de forçar uma operação policial para derrubar o grupo, utilizando até mesmo falsas testemunhas.
Os áudios das conversas com Queiroz foram repassados ao prefeito. Neles, o jovem se vangloria de ter influência sobre os investigadores, vereadores, além de contar com a parceria do promotor. “Do jeito que eu ‘tô’ ajudando a derrubar prefeito, vice-prefeito, presidente da câmara e vereadores, eu derrubo vocês também”, diz ele durante uma conversa com Samuel Castro (PSL), vereador que assumiria a prefeitura caso o grupo conseguisse seu objetivo. A ameaça serviria para inibir alguma traição por parte do parlamentar.
Percebendo que o esquema poderia ter outros desdobramentos, Rocha decidiu tornar públicas as conversas. Foi neste momento, segundo ele, que Queiroz o procurou para fazer uma oferta. Segundo ele, as ações movidas pelo MP-AM seriam todas extintas se o prefeito pagasse R$ 500 mil. Ao tomar conhecimento disso, Pinheiro Filho decidiu formalizar denúncia ao Conselho Nacional do Ministério Público e à Procuradoria Geral de Justiça do Amazonas.
O prefeito encaminhou a denúncia no último dia 16. Cinco dias depois, no dia 21, o promotor apresentou outra ação contra ele. “Foi uma clara tentativa de inverter as coisas”, diz Pinheiro Filho.
Machado é promotor em estado probatório, empossado em junho de 2017 entre os aprovados no concurso realizado pouco antes pelo MP-AM. Atuava como professor de cursinho on-line em Brasília. Segundo a denúncia apresentada pelo prefeito, ele teria a ajuda do desembargador eleitoral Flavio Britto, que atuou como advogado do ex-prefeito Raimundo Magalhães (PRB), adversário do grupo liderado por Pinheiro Filho.
Já o estagiário Queiroz é personagem conhecido por promover ações de mídia contra Pinheiro Filho. Chegou a aparecer em fotografia acorrentando, em protesto contra o prefeito. Ele teria criado um personagem fake chamado Raimundo Neto, em novembro de 2017, especialmente para fomentar denúncias nas redes sociais.
Castro, que atua no preço político do esquema, foi eleito em 2016 com 714 votos. Teria o apoio de Adeva Cordovil (PTB), Ademoque Filho (PSDC) e Ewerton Medeiros (DEM) seriam os outros parlamentares aliados dos conspiradores. Em 2018 eles chegaram a ser afastados da Câmara após a denúncia de que estariam oferecendo vantagens indevidas a funcionários de Coari para obter provas de condutas ilegais do prefeito durante o mandato.
Cordovil já foi preso por estelionato e apropriação indébita.
Ouça os áudios:
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