A maldade humana agora não tem nome /
Hoje não dá / Pegue duas medidas de estupidez / Junte 34 partes de mentira /
Coloque tudo numa forma, untada previamente / Com promessas não cumpridas / Adicione, a seguir / O ódio e a inveja / As dez colheradas cheias de burrice /
Mexa tudo e misture bem / E não se esqueça: antes de levar ao forno / Temperar com essência de espírito de porções / Duas xícaras de indiferença / E um tablete e meio de preguiça”.
Uma reflexão para esse trecho de ‘Os Anjos’, canção de Legião Urbana, que retrata com fidelidade as cenas vistas em frente aos quartéis, onde “dinossauros defendem meteoros” e suplicam por golpe militar. É a Chiquinha defendendo o Seu Madruga.
Algo surreal e bizarro que faria Glauber Rocha, Nelson Rodrigues e Cazuza, tomarem porre de cicuta, dando homéricas gargalhadas.
Nessa guerra cultural desenhada por Olavo de Carvalho e seus alunos fanáticos, o Olavismo com o discurso do ódio é o condimentos do fascismo, perigoso e corrosivo no tecido social. Sempre a serviço das elites e de uma sociedade escravocrata.
Ficar do lado dessa turma que mistura capitalismo, liberalismo, meritocracia, democracia, religião como se fosse uma coisa só, é um tédio, uma pasmaceira!!
É um fire no airfryer apurado, com “efeito colesterol” dessa gente, que agora busca teorias Paulo Freudiana no Olavismo, transportando o Surubão de Noronha para frente dos quartéis, com a cumplicidade da caserna e dos generais do Viagra.
Nessa epifania só me resta dizer: Acorda, Alice! Tudo era mais legal quando eram todos de barro, hoje apenas soltam o “barro” nas sarjetas e banheiros unissex em frente desses quartéis, em suas vigílias golpistas.
Só pra saber mesmo, essa turma que denuncia o pecado alheio, fazendo um inferno na vida dos outros, vai pro céu?
Se for, eu prefiro ser expulso do paraíso. Aliás, falando nisso, o inferno as vezes me parece tão acolhedor, pois recebe todo mundo. E se torna mais acolhedor ainda se “esse pessoal fundamentalista religioso” for mesmo pro céu como eles dizem. Por lá, no firmamento, será uma monotonia só, não deve ter graça nenhuma.
Puxar um beck por exemplo, nem em pensamento! Já pensou o que é ficar ao lado de Cássia Kis famosa fiscal do Koo alheio, Damares trepada na goiabeira, Janaína louca, Edir Macedo, Malafaia. Quero mesmo é ficar do lado de Cazuza, Raul, Cássia Ellen, Erasmo, Dercy Gonçalves, Glauber Rocha.
Numa discussão tipo TCC, do curso de Teologia (antigo CENESC), entre uma nóia e outra, surgiu um papo reto fuleragem. Um amigo perguntou: “quem fumou o primeiro beck do mundo?” O outro sabiamente, na rodada de dominó coordenada por Osmir Medeiros, respondeu, meu caro: ”Adão e Eva, é óbvio, ou tu acha mesmo que uma cobra falou com eles?”
Acho que já vi alguns patriotas que defendem a família, gente de bem da vigília do CMA pagando michê na Sefaz depois das 9 da noite. Só acho, posso tá enganado!
Nessa pleura, o que é prazeroso e confortante é ver o pitbull do cercadinho, das redes sociais e das lives nas quintas, se transformar em Lesse voltando do petshop, de tosa e banho tomado, com direito a petisco e lacinho borboleta, Bíblia na mão e tudo, parafraseando ensinamentos da falange fascista no caminhão de mudanças.
O bom mesmo é ir na rezadeira pra chegar bem disposto na folia do sagrado e profano, já que a folia tá se aproximando.
Seu Santinho da rua Nhamundá na Praça 14 é uma dessas entidades. Ele é o cara, sua ancestralidade em outro patamar, ajeita até o joelho do Bruno Henrique do Flamengo. Usa banha de cobra pra pegar e puxar desmentidura. Quando não tem, a banha de paca, óleo de andiroba e Sebo de Holanda também resolve.
“Pelo signo de Salomão / E com a vela benta na sexta-feira da paixão. / Treze raios tem o sol, treze raios tem a lua. / Salta demônio para o inferno, pois esta alma não é tua”.
“Eu te benzo eu te curo e amanhã tu caga duro”.
Pra pontuar, a vida é igual a restaurante, ninguém vai embora sem pagar. É a vida né?! O que seria da gente sem a vida?!
Viva las madres de Plaza de Mayo! Viva Argentina! Viva Mafalda!
Nota de pesar: A rezadora indígena e líder espiritual dos povos Guarani e Kaiowá.
Estela Verá – Presente!
*Apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco.
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