Moradia, saneamento e tragédia

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Não é novidade pra ninguém que o Brasil ostenta dois horrorosos títulos de país com os menores índices de implantação de saneamento básico, cobertura populacional com acesso a água potável e rede de esgoto e também da falta de moradia e condições apropriadas de habitabilidade, de acordo com dados do IBGE e de ONG’s nacionais e internacionais voltadas para o estudo dessas realidades.
A maioria das capitais dos estados brasileiros especialmente a periferia das grandes cidades vivem em condições precárias ou até inexistentes de condições apropriadas nas áreas apontadas. Imaginem as cidades do interior do Norte e do nordeste brasileiros cujo Índice de Desenvolvimento Humano o famoso IDH beira ao caos.

Pois bem, essas situações ainda tratadas pelas gestões públicas municipais, estaduais e federal de maneira simplista e irresponsável empurrando a população mais pobre para a ocupação desordenada, para as invasões de áreas insalubres e perigosas, produzem tragédias como a que aconteceu recentemente no estado do Rio de Janeiro mais precisamente em Niterói ceifando mais de quinze vidas incluindo parte de famílias as quais perderam casas, bens, documentos e entes queridos.

A leniência do poder público que não age de forma preventiva, a falta de políticas públicas voltadas para o acesso à moradia, a pobreza reinante e a falta de investimento adequado e permanente por meio de um grande projeto nacional que amplie de modo consistente e seguro o acesso à rede de esgoto e agua tratada, são mazelas com as quais o Brasil teima em alimentar e conviver proporcionando sequelas e mortes por doenças como parasitoses intestinais, dermatoses graves, hepatites, leptospirose entre outras enfermidades graves.
Mas é a falta de uma política pública ou a inexistência de um adequado programa de acesso à moradia popular ou ainda a permissividade do poder público que só enxerga o problema quando ele explode, que produzem tragédias como a que estamos assistindo presentemente enlutando famílias e produzindo um estado de catarse que nos causam tristeza e comoção.

Não será o primeiro nem o último desastre a causar tantas vítimas mas este, ocorrido na cidade de Niterói, precisa ser encarado como ponto de partida para uma tomada de decisão por parte das autoridades públicas se estas quiserem passar para a história não como coveiros mas como agentes responsáveis pela proteção de vidas por meio de programas, políticas e gestões preocupadas com seus concidadãos e suas necessidades mais básicas.
Chega de omissão! Basta de leniência! Parem com a corrupção que desvia a grana dos programas sociais mais prementes e necessários para os cidadãos de bem desse país.

Té logo!

*O autor é farmacêutico e empresário

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