O velho economista, o emprego dos meninos e o Capitão.

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Por Thomaz Nogueira*
Antes mesmo do resultado das Eleições 2018, já foi dada a largada na caça ao seu emprego.Como assim? Domingo à noite, zapeando na internet, vejo como primeira nota da Coluna Painel, da Folha de SP, que a equipe econômica do Capitão quer liberar geral a importação. Você ficou sabendo? Captou o significado?
Poucos perceberam o significado e a importância da notícia, mas o site “Tribuna da Internet”, sim. Baseado em Salvador e apoiador do Capitão, a turma entendeu o real significado. Bateu forte, acusando o economista Paulo Guedes de querer destruir a indústria brasileira, chamando-o de “apátrida que não se interessa pelo Brasil”. Link: http://tribunadainternet.com.br/guedes-quer-baixar-o-imposto-de-importacao-e-destruir-a-industria-brasileira/
O site fez até uma de Nota de Redação, para registrar.

 Ao invés de incentivar a indústria brasileira, o gênio do mal Paulo Guedes quer baixar o imposto de importação (IPI) para abrir empregos na China e em outros países. Os generais que assessoram Bolsonaro precisam enquadrar esse entreguista, que pretende vender o Brasil por 30 dinheiros. (C.N.)”

Não é a primeira vez que o enunciado das propostas vaza à imprensa. O surpreendente é os jornalistas ainda se surpreenderem. Não estão acompanhando?Diga-se a favor de Paulo Guedes que ele tem defendido tais ideias há mais de 40 anos. Sempre defendeu as ideias de absoluto liberalismo econômico, o que propõe agora é consistente com seu pensamento. Só não serve ao país.Na minha visão, essas ideias são excludentes, são concentradoras de renda, remetem o país a um papel periférico, e até mesmo subserviente, no capitalismo mundial, por não observar o estágio atual da nossa economia. De toda forma, são conhecidas do público. Isso preciso ficar claro.

Se você que é gerente, montador, prestador de serviço do PIM, médico, alfaiate, consultor de empresa; que largou a vida de assalariado e montou sua pequena empresa de projeto de engenharia ou de varejão, se é contadora, vive de biscate, e não sabia, normal. Mas é inadmissível que os líderes políticos e empresariais, dirigentes de empresa no Polo Industrial de Manaus, que apoiam o Capitão, não saibam.

O que você precisa saber é que a proposta reconhece que haverá impacto na economia, estimando um mínimo recuo de preços, e que empresas brasileiras tendem a não sobreviver “o que leva os trabalhadores a migrarem para outros setores da economia”.Entendeu? O eufemismo de ”trabalhadores migrarem para outro setor da economia” significa que o emprego ou sua pequena empresa, vai dançar.Os sujeitos, ao formularem as políticas, não lembram de você de carne e osso, com contas para pagar, financiamento no banco, cartão de crédito, escola das crianças, faculdade, ou mesmo o supermercado ou energia.Migrem para outros setores, é a recomendação fria. Diz ai, quais os outros setores onde tem emprego dando sopa? Para eles, isso é só um detalhe. Mas para as 13 milhões de pessoas que já estão sem trabalho é, obviamente, um escárnio.Se isso é verdade para todo o país, é mais crítico para Manaus. Produzimos o que aqui produzimos APENAS PORQUE TEMOS UM CONJUNTO DE REGRAS EXCEPCIONAIS, DENTRO DA ECONOMIA, que nos dão alguma competitividade frente as dificuldades locais, de produzir no meio da selva. Só que essa produção tem resultados positivos para o país, em termos de atividade econômica, em termos de balança comercial e de impacto ambiental . Clique aqui para saber mais sobre isso.

É o seu que está na reta! Estou exagerando?

Lembre-se, nesse conjunto de ideias e medidas econômicas, ditas neoliberais, NÃO CABE uma área de exceção, como o Polo Industrial de Manaus. (Se você não leu nosso artigo anterior, peço que dê uma olhada, clicando aqui)Alguns de nossos líderes empresariais continuam crédulos que nada vai acontecer. Esses parecem com o sujeito que não acreditou no aviso do Tsunami. Muitos outros clamam pela ação de um conjunto de Generais que assessoram o candidato (como fez o “Tribuna da Internet”). Deixa eu ver se entendi. A ideia é que na questão econômica, os generais digam ao economista o que fazer!!! Pode dar certo? Não sei, mas o Capitão falou que na economia manda o Posto Ipiranga (quer dizer, Paulo Guedes). Uma barafunda, uma confusão.A pergunta é: Precisamos dizer SIM a isso? Não acredito que seja inteligente.O sentimento de ser CONTRA, tem embotado uma análise fria dos fatos, mas não seria bom dar uma olhada para trás?Conhecer um pouco tais fatos nunca é demais. Especialmente para os mais jovens.

Resgatando

Durante os mandatos de FHC, o Amazonas começou a luta pela prorrogação da Zona Franca, cujo prazo venceria em 2013. Uma ampla articulação se fez, na busca daquele objetivo, muita tinta, papel, argumento foi gasto. No final as esperanças se renovaram, quando o hoje Prefeito Artur Virgílio, que era um dos mais importantes quadros do PSDB, assumiu o Cargo de Ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência. Mais próximo ao Presidente impossível. FHC concluiu seus dois mandatos e nada, nada se obteve.O PSDB se valeu da inteligência, da combatividade, da capacidade de articulação, da oratória de Artur, mas jamais lhe deu o reconhecimento devido, e negou a reivindicação mais importante de sua agenda. 2018 já tinha acontecido em 2002.

Lula assumiu em janeiro de 2003. Antes do fim daquele ano a ZFM, estava prorrogada. Dez anos depois, Dilma fez o gesto ainda mais importante e propôs a prorrogação até 2073. Simples assim.

São duas posturas cristalinamente distintas.“Esquece. A parada tá definida.” Será? Então faz um favor para você. Escolhe Haddad e sinaliza que não concorda com esses encaminhamentos. Pode não mudar nada, mas você mostra a ele que quer seu emprego mantido.


P.S 1 — Essas propostas só prosperam, por que de um lado temos elites empresariais acomodadas, com sua visão patrimonialista, querendo sempre a proteção do Estado contra qualquer tipo de concorrência (especialmente externa). A isso se contrapõem as propostas liberais abrindo as fronteiras para a invasão estrangeira.

Entre a postura patrimonialista e o liberalismo econômico de outro, há sim uma terceira via possível.

Na verdade, tinha decidido escrever sobre um esforço desse tipo que promovemos durante a gestão na SeplanCti, reunindo Academia, Setor Privado e Governo, a que chamamos Jornadas do Desenvolvimento. A ideia era interagir e construir um caminho de evolução para a economia do Amazonas que fosse além da Zona Franca e do PIM. As manifestações de cientistas, empreendedores e gestores públicos resultou em uma proposta chamada “Uma Nova Matriz Econômica e Ambiental Para o Amazonas”. É um mapa do caminho para que o uso da Ciência e do Conhecimento seja o insumo básico para a transformação e expansão da economia de base regional e inclusiva das populações interioranas.

O nome do jogo é DIVERSIFICAÇÃO. A ideia fundamental está fundada em um processo de desenvolvimento baseado em dois vetores. O Primeiro é a âncora para alavancarmos o segundo:

VETOR 1 : AMPLIAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO PIM;

VETOR 2 : DESENVOLVIMENTO DE UMA ECONOMIA DOS RECURSOS NATURAIS.

Isso é papo para outra conversa.

P.S 2 — Sabe o velho, o menino e o burro? Não dá para agradar a gregos e goianos ao mesmo tempo. Antes questionaram a discussão dos aspectos conceituais para definição do voto, ressaltando que devíamos focar nas questões que tocassem no bolso do eleitor. Pois é. Agora, recebi algumas críticas no sentido de que discutir aspectos econômicos e Zona Franca, seria um erro grave. “Estás admitindo eventual possibilidade de voto, se resolvida a questão econômica? ”. A resposta é: Não. O déficit civilizatório do capitão impede.

*O autor é Especialista em direito tributário, já foi Secretário Executivo da Receita na SEFAZ-AM, Superintendente da Suframa e Secretário de Planejamento do AM.

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