Festival folclórico de 1959

Anos depois do professor Mário Ypiranga Monteiro criar no “Arraial do Pobre Diabo”, no bairro da Cachoeirinha, em derredor da capela de Santo Antônio, um festival de folclore amazonense com todo o rigor técnico e acadêmico que seu conhecimento e largo estudo propiciavam, foi instalado o Festival Folclórico do Amazonas pelos diretores de “O Jornal” e “Diário da Tarde”, realizado no Estádio General Osório, o qual teve sucesso de público e avançou no tempo com certas variações, durante muitos anos sob a coordenação do jornalista Bianor Garcia.

Em 1959, quando do terceiro ano do evento, a programação foi variada e até certo ponto estranha ao tema do festival, com muita coisa entremeada nas apresentações de danças e grupos regionais de vários bairros de Manaus. Entre as agremiações folclóricas estavam as quadrilhas Soçaite na Roça, Caboclos do Amazonas, Caboclos do Andiroba, Coronel Fiuza, Pássaro Rouxinol e Bumbá Tira Prosa, na véspera de São João.

No meio desse espetáculo deu-se uma apresentação especial da cantora Elizete Cardoso, acompanhada pela violonista Manuel da Conceição que visitavam a cidade para outros shows, juntamente com o locutor José Renato, da Rádio Nacional.

Como se não bastasse a inovação, naturalmente na tentativa de atrair púbico ou até mesmo aproveitar o festival como um grande evento local, também foram recebidos com festa e foguetório os jogadores do time do Fluminense Futebol Clube, do Rio de Janeiro, que haviam chegado para disputar uma partida contra a equipe do Fast Club, os quais foram ovacionados pelo público presente ao estádio.

Fora da festança um pouco sem sentido para os objetivos do festival folclórico, quem acompanhava tudo de perto e diretamente do tablado do estádio era o escritor brasileiro Barbosa Lessa, um pesquisador das manifestações folclóricas nacionais e que estava coletando material para um livro “Festas Populares do Brasil”, e para seu programa na Televisão Record e artigos para a Revista “Américas”, que circulava nos Estados Unidos.

Ou seja, o Festival Folclórico do Amazonas servia de atração para convidados, artistas, pesquisadores e até futebolistas, como se dizia antigamente ao tratar desse tipo de atletas.

No ano seguinte (1960), não foi diferente, dando-se uma diversidade larga na programação com apresentação de grupos folclóricos, discurso do ministro Barros de Carvalho, representando o presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, a palavra de Maria de Nazaré Maués, pelos folcloristas, o pronunciamento do governador Gilberto Mestrinho, a apresentação do Coral João Gomes Júnior, regido pelo maestro Nivaldo Santiago e, para encerrar, os bois Tira Prosa e Corre- Campo fechando a noitada.

Pelo visto, valia tudo para atrair o povo e o Festival Folclórico do Amazonas era o principal evento de honra da cidade.

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