Pelo menos duas décadas depois de ter se afastado do dia-a-dia da escola de samba que ajudou a fundar, a Reino Unido da Liberdade, o sambista Bosco Saraiva (que fora do Carnaval exerceu as funções de vereador, presidente da Câmara três vezes, deputado estadual, deputado federal, vice-governador, secretário de Segurança e superintendente da Suframa) voltou ao berço que foi a origem inclusive de sua carreira política. No feriado dfe Corpus Christi, ele reuniu os principais nomes vivos que compuseram os sambas da agremiação ao longo dos últimos 45 anos e refundou junto com eles a Ala dos Compositores.
Na reunião estavam presentes nomes que construíram, verso a verso, o DNA musical da escola do Morro da Liberdade, como Jorge Halen (Chocolate), Carlos Nascimento, o Carlão (que também fez história como árbitro de futebol), João Guilherme, Judson Sicsú, Arnoldo Cabral, Adelino Aquino, Zé Mário, Jackson Sicsú, Gilson Nogueira, Madureira, Luciano Sá, Fabio Soldado, William Pimentel e Alexandre. Eles compuseram os sambas históricos que embalaram títulos e até derrotas, que nunca desmereceram as composições..
As Regras do Jogo: Identidade e Compromisso
Na reunião, foram definidas as diretrizes que nortearão o trabalho da Ala daqui em diante — um conjunto de regras pensadas para fortalecer a identidade da escola e valorizar quem veste essa camisa com amor. O principal recado é claro: a Reino Unido quer compositores que batam no peito e digam “sou da casa”.
A partir de agora, os membros da Ala de Compositores da Reino Unido não poderão concorrer com sambas enredos em outras escolas do Grupo Especial de Manaus. A exclusividade é um gesto de respeito e de pertencimento — a escola quer que seus compositores pensem, respirem e criem para o Morro da Liberdade.
A regra, no entanto, não engessa a criatividade de ninguém. Depois que participarem do evento de apresentação de suas composições na Reino Unido, os compositores seguem livres para criar e concorrer em escolas de outros grupos, além de blocos e bandas. O samba é livre — mas o primeiro compromisso é com a escola.
Porta Aberta: Novos Sambistas, Bem-Vindos!
Junho e julho serão meses de celebração e acolhimento. A Ala de Compositores está com as inscrições abertas para novos membros até o dia 30 de julho. Qualquer apaixonado pelo samba que queira fazer parte desse seleto grupo tem até essa data para se inscrever.
Mas entrar na Ala tem um ritual sagrado: o candidato precisa apresentar um samba em exaltação à Escola de Samba do Morro. É a prova de amor, o passaporte de entrada. Uma forma de garantir que quem chega já chega cantando para a escola — e que os novos poetas encontrem na convivência com os veteranos o combustível para criar grandes sambas.
No dia 1º de agosto, a Ala será oficialmente fechada e haverá um lançamento especial — com os atuais e os novos componentes — para marcar o início de uma nova era na história da composição da Reino Unido da Liberdade.
A Voz de Bosco Saraiva: tradição que aponta para o futuro
“Nós estamos, na verdade, preparando o futuro da nossa escola de samba”, resumiu Bosco Saraiva ao falar sobre o significado do movimento. Para o sambista, a refundação da Ala é mais do que uma simples decisão — é uma retomada de valores. “É uma retomada da tradição antiga, que era fechar a Ala”, explicou.
O objetivo vai além de organizar quem canta para quem. A proposta é oxigenar o ambiente criativo da escola, fazendo o encontro entre diferentes gerações — os novos poetas que estão surgindo e os compositores veteranos como Chocolate, Gilson Nogueira, Mestre Arnoldo, Carlão e Sicsú, que carregam décadas de história no peito. Dessa convivência, Bosco espera que brotem sambas melhores, mais ricos, mais identitários.
“Melhorar e especialmente oportunizar novos compositores do Morro da Liberdade e adjacências que são amantes da Reino Unido e da Liberdade. Amor e paixão pela Reino” — essa é a visão que move o grupo.
Já Vale Para Este Carnaval!
E para quem já está de olho no próximo desfile: as novas regras valem já a partir de 1º de julho. A refundação da Ala não é um projeto para o futuro distante — é um movimento que começa agora, com impacto direto no processo de escolha do samba enredo da Reino Unido para o Carnaval que vem aí.
O Morro da Liberdade está se preparando. O tambor chamou. E os compositores responderam — com samba no pé e amor no coração pela Reino Unido da Liberdade.
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