FATOS E VERDADES: MINHA TRAJETÓRIA NA FUNDAÇÃO ALFREDO DA MATTA (III)

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“É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca.”(Dom Hélder Câmara)

Começo o artigo de hoje com essa frase magnífica de um homem igualmente magnífico que soube combater o bom combate e lutou com determinação e serenidade por um ideal de tolerância, fé e dias melhores para a humanidade, especialmente os mais pobres. E ele, coerente com seu discurso, jamais titubeou ou desistiu das suas lutas e é nele que me inspiro quando penso que, nas minhas lutas por um ideal profissional e de vida, caminhei por caminhos onde a graça de Deus poderia me alcançar e me mostrar os trajetos e jornadas mais justos e coerentes com minha formação moral e humana, sem desistir diante dos poderosos e da sanha persecutória de uns poucos, os quais tinham compromisso apenas com seus caprichos e vaidades pessoais. Eu sempre pensei numa Fundação Alfredo da Matta-FUAM menos personalista e mais abrangente do ponto de vista dos seus servidores e usuários!

Dito isto, transponho para o papel a narrativa do que foi o início meio e fim do meu primeiro quadriênio como Presidente da  FUAM parte já contada no artigo anterior, ou seja, a imensa dificuldade com os tristes e lamentáveis episódios que circunscreveram a minha posse. E, algum desavisado há de indagar: -Mas isso é passado; e eu respondo:- Não, isso é história! Historia que precisa ser contada e absorvida como ensinamento para jamais ser repetida.

Então vamos aos fatos.

Assumi a direção da fundação em meio ao caos como soi ser sempre que há uma troca de governante com linhas de pensamentos e que  enxergam o estado de forma diferente do anterior. Só aí já reside alto grau de dificuldade. Imaginem que somado a isso, ocorra uma avalanche de pedidos de exoneração e de abandono das funções como enfrentei pelo fato de ter sido eleito contra o status quo, por  não ser médico e ter  lutado contra tudo e contra todos para ser empossado. Isso não é pouco e isso não é tudo!

Porém, como diz o ditado popular, o que tá ruim pode piorar, recebi um pedido de agenda para atender a uma religiosa  que além de servidora era representante e dirigente no estado da citada ONG alemã(já já falaremos dessa “parceria”), para conversarmos sobre a gestão da FUAM.

Recebi a freira e uma equipe de servidores que ela comandava e, para minha surpresa, ela sem corar de constrangimento, me apresentou um organograma com nomes e posições de encaixe nos cargos de chefia incluindo o seu próprio nome,  para que eu levasse até o governador para serem nomeados. Recebi aquele documento com um misto de surpresa e alívio confesso  pois, entre tantos desatinos cometidos por gente relacionada ali, o pedido de retorno aos cargos, era sinal de desarmamento e gesto de compromisso com a entidade, afinal, eles até que raciocinavam colocando a FUAM acima dos seus interesses mais comezinhos.

Com humildade e pisando em ovos, fui conquistando e convencendo aqui e ali alguns servidores mais comprometidos com a instituição e, conseguimos então montar uma equipe para enfrentarmos os desafios de transferirmos a instituição pra nova sede recém inaugurado porém,sem apresentar as mínimas condições para abrigar uma instituição de saúde tendo em vista que, só para citar um problema, não havia sistema hidro sanitário nos laboratórios e em nenhuma sala destinada aos consultórios.

Fui até o governador Amazonino com um relatório sobre os diversos problemas e ele ordenou a abertura de sindicância para que a construtora fosse responsabilizadas  pelos erros constatados. Decorridos três meses a empreiteira faliu e o estado resolveu então abrir licitação para reconstruir a sede nova a fim de adequá-la finalmente às finalidades para as quais havia sido concebida inicialmente. E essa reforma do que se apresentava como novo, demorou quase um ano. Enquanto a nova sede ia sendo reformada continuávamos funcionando num local pequeno, insalubre, com estrutura envelhecida e sem condições de continuar abrigando uma unidade de referência nacional que precisava de espaço, equipamentos e tecnologias para almejar horizontes que embora desafiadores, alimentavam os sonhos quase intangíveis de um grupo aguerrido de servidores.

Acompanhei passo a passo o desenvolvimento dessa reforma que custou ao novo governo perto de quinhentos  mil reais, um verdadeiro absurdo levando-se em consideração que o governo anterior havia pago perto de 1,6 milhão de reais à empreiteira e, enquanto isso, iniciei então negociações com a ONG alemã que havia firmado um acordo com o governo Mestrinho que resumidamente estabelecia que se o estado construísse a sede, essa entidade equiparia o prédio ou o inverso. Deu-se então que o estado “construiu” a nova sede e a dita ONG incumbiu-se de destinar recursos da ordem de hum milhão de dólares a serem empregados na mobília e equipagem tecnológica da FUAM.

Era final de 1994, a reforma da nova sede se encerrou e as negociações com a ONG alemã não avançavam e frustravam-se as expectativas dos servidores e dos usuários pela ocupação da sede nova. Alguém estava por trás ou algo de muito estranho e alheio ao meu conhecimento estava acontecendo quando então fui ter com o governador e relatei a ele a possível quebra do acordo firmado para a equipagem da Fundação e ele me autorizou então a tratar do assunto diretamente com o secretário de saúde de então que era o vice governador Alfredo Nascimento que assumiu o compromisso de, no início de 1995, iniciar o processo de aquisição da mobília e dos equipamentos.

Resumidamente, todas as tratativas frustrantes e penosas com a ONG alemã para manutenção do compromisso assumido foram infrutíferas, pois até forças  internas conspiravam contra e, aquela entidade, só liberou a quantia de aproximadamente 150 mil reais e, ainda carimbadas, para equipar tão somente a sala de fisioterapia. Tive que engolir esse acordo para não passar por intransigente ou orgulhoso nesse episódio, porém me assumi frustrado e iludido na época.

A sede nova pronta com 4.200m² estava ao nosso alcance, os processos de aquisição dos mobiliários e equipamentos avançavam, o estado da atual sede com apenas 600m² cada dia deteriorava e havia uma salutar pressão(inclusive feita  assembleia geral) e um desafio a martelar nossas consciências de gestor e de servidores: Porquê não mudar pra nova sede assim mesmo e irmos nos adaptando pouco a pouco ao novo ambiente enquanto o processo de compra dos móveis iam avançando?

Desafio feito desafio enfrentado!

No primeiro semestre de 1995 resolvemos a direção, um grupo de ocupantes de cargos de chefia e muitos servidores, encarar o desafio de transferir mobiliário e equipamentos velhos da sede antiga para a nova, muitos dos quais levados literalmente nas mãos e cabeças. Era como se fosse a travessia do Mar Vermelho, ainda que mal comparado. Mudamos durante uma semana inteira e começamos a funcionar e a atender na nova sede com muitas salas e consultórios ainda sem ar condicionado. Muito orgulho sinto daquela equipe de servidores guerreiros e comprometidos com a instituição e os usuários!

E fomos avançando. Autorizados pelo vice governador e secretário de saúde interino, Alfredo Nascimento, durante todo o ano de 1995 os processos de aquisição dos mobiliários e equipamentos dos mais funcionais e modernos foram ocorrendo, finalizamos a montagem dos ambulatórios, laboratórios, área administrativa e armazenagem e, em meados de 1996, finalmente mudamos para a nova sede.

Em agosto de 1996 fizemos uma inauguração simbólica da nova sede da Fundação Alfredo da Matta e convidei para esse ato nada mais nada menos que o Diretor internacional da ONG alemã, a mesma que havia quebrado o acordo firmado com o governo, que junto comigo plantou um pé de pau brasil nos jardins da instituição. Anos depois, a árvore definhou e morreu. Penso que o alemão não tinha boas mãos.

No próximo artigo relatarei sobre os avanços institucionais já no fim do meu primeiro mandato, a minha reeleição e as enormes conquistas para a FUAM no segundo mandato. Emoções nos esperam.

Té logo!

Ronaldo Amazonas, ex-diretor da Fundação Alfredo da Matta, um dos mais polêmicos ativistas da internet. Escreve sobre o que lhe vier à cabeça, sempre com uma pegada forte e opiniões muito próprias.

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