Eleição municipal de 1893

Estava no governo do Estado o engenheiro militar Eduardo Gonçalves Ribeiro, após superar muitas escaramuças políticas entre 1890-1892, enfrentando algozes que não deixariam de perturbar a sua trajetória político-administrativa e honra pessoal, alguns dos quais se vangloriariam com seu assassinato em 1900.

Mesmo em meio a acirradas disputas políticas era preciso realizar eleições municipais, destinada à escolha de Superintendente Municipal (prefeito) e Intendentes (vereadores), com voto direto, com base em lei eleitoral amazonense feita na forma de diretrizes nacionais, com o eleitorado dividido em paróquias e secções conforme advindo do período imperial,

Andei por muito tempo à procura de informações mais detalhadas sobre esta eleição municipal, realizada no começo da República, em 25 de janeiro de 1893, o que somente consegui após muita paciência na leitura de documentos e jornais antigos, durante anos seguidos.

Na disputa pela prefeitura estavam três próceres bem conhecidos na cidade: Agesilau Pereira da Silva, Manoel Uchoa Rodrigues e Lima Bacury. Para Intendentes: Sá Peixoto, Ignácio Pessoa Neto, Raimundo Salgado, José Policarpo de Souza, Joaquim Nunes e José Irineu de Souza, pelo Partido Democrata; e José Cláudio Mesquita, A. de Miranda Araújo, Serapião de Aguiar Mello, Hilário F. Alvares, Aureliano A. Fernandes e Gervásio Jorge dos Reis, pelo Partido Nacional, este que era declaradamente de oposição ao governo local.

O processo eleitoral era complexo, mesmo com poucos eleitores, e a votação se estendia da sede de Manaus ao Manaquiri e Janauacá, que compunham o município. A fraude, por manipulação dos resultados, advinda do Império, apesar de inúmeras mudanças nas leis respectivas, dessa feita ensejou que muitos eleitores, de várias mesas eleitorais, fizessem publicar na imprensa suas declarações de voto, exprimindo a escolha que haviam feito nas urnas, o que pode ser entendido como uma forma de contestação ou vacina ao possível resultado que adviria de mapas de votação.

A mais longa e detalhada dessas declarações de voto, com mais de 60 assinantes, foi a da mesa eleitoral do Mocó, bairro distante do centro da cidade, mais precisamente da 5ª. seção da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, os quais confirmavam terem votado em Agesilau Pereira da Silva e sua chapa de vereadores. Interessante observar que estas declarações de votos e outros protestos ao modo de funcionamento de mesas receptoras de votos foram publicados, por coincidência, no jornal “Diário de Manaus”, de propriedade de uma “associação”, mas dirigido por Agesilau Pereira da Silva, único responsável pelo referido órgão de imprensa.

Em meio a essa confusão política, que se estendeu por algum tempo, o jornal publicava trechos traduzidos de “O Desmoronamento”, de Emílio Zola, autor naturalista bem festejado, ocupando boa parte da primeira página, diariamente, a sinalizar que havia leitores assíduos para esse tipo de produção literária em forma de folhetim nos jornais amazonenses.  

O que se teve ao final, sob protestos e acusações de fraude e manipulação de mesas, mapas e eleitores, foi a vitória de Uchoa Rodrigues, o escolhido por Eduardo Ribeiro, que havia sido deputado federal constituinte e era da rama de Emílio Moreira. Ou seja, detinha muitas forças políticas a seu favor.

Ao nascer da República, tal qual sucede nesse 2026, não havia flores no processo político-eleitoral. 

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