Elevação do saber jurídico

A posse do amazonense Mauro Luiz Campbell Marques como ministro vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, pelo seu ineditismo e alto significado, instigou-me a verificar quantos e quais patrícios conseguiram posição destacada no cenário mais elevado do Poder Judiciário brasileiro; afinal, foi em Manaus que se instalou a primeira Universidade e o terceiro curso de bacharéis em Ciências Jurídicas e Sociais do país.

De logo surge o professor e jurista Waldemar Pedrosa (1888-1967) como ministro do Tribunal Superior do Trabalho (1954-1955), após exercer mandatos de deputado estadual e federal, senador e interventor, obter cátedra na Faculdade de Direito, liderar a recuperação da nossa faculdade, presidir a seccional da Ordem dos Advogados e criar o Instituto dos Advogados, ao mesmo tempo em que formava roda de agradáveis conversas na sua residência degustando um bom charuto passado no licor “Chartreuse”, e se deliciava com o café Pina para encontrar-se com a juventude.  

No mesmo Tribunal Superior do Trabalho, esteve o advogado e sindicalista Fernando Alfredo Pequeno Franco (1929…) após se projetar como presidente da Federação do Comércio e no exercício de cargos no Poder Executivo estadual e municipal, tendo sido ministro da classe dos empregadores (1976-1985), categoria que completava a formação dos quadros dessa justiça especializada, desde o primeiro grau.

Henoch da Silva Reis (1907-1998), nascido em Manacapuru, estudou em Manaus graças ao apoio de André Araújo, então juiz de Direito, foi titular do Tribunal Federal de Recursos (1966-1974), colegiado que antecedeu ao Superior Tribunal de Justiça, após ser promotor de Justiça, professor de Direito e juiz do Trabalho, afastando-se desse colegiado quando convocado pelo Regime Militar para exercer o governo do Amazonas (1975-1979), mantendo sempre a simplicidade e a delicadeza no trato, ao lado de elevados conhecimentos jurídicos.

Francisco Manuel Xavier de Albuquerque (1926-2015), o Xavico para a família e alunos, projetou-se como professor catedrático em concurso singular, membro da Ordem dos Advogados em Manaus e em Brasília e pensador do Direito, foi elevado ao Supremo Tribunal Federal (1972-1983), do qual foi vice-presidente (1979-1981) e presidente (1981-1983), consagrando-se pelo espírito pacificador e harmonioso e pela erudição sem exageros.

Mauro Luiz Campbell Marques (1963), formado pelo Centro Bennett, do Rio de Janeiro, originário do Ministério Público estadual (1987) como promotor e Procurador Geral de Justiça em três ocasiões, galgou eleição em lista para o Superior Tribunal de Justiça (2008), após o exercício vigoroso na função ministerial e em cargos de relevância no Poder Executivo, projetando-se pelo desempenho pessoal, conhecimento, dedicação, responsabilidade e determinação. Como ministro do STJ, integrou o Tribunal Superior Eleitoral, dirigiu a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados e foi Corregedor Nacional de Justiça, tendo publicado várias obras jurídicas com acolhimento superior.

Vê-se, portanto, que o valor e o saber jurídico dos amazonenses estão bem representados na história do Poder Judiciário nacional, e chega à culminância da direção do Tribunal da Cidadania na juventude e dinamismo intelectual de Mauro Campbell.   

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