É tempo de eleição, faça o que diz seu coração…

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

No início da década de 1980 participava eu do movimento jovem da igreja católica de Manaus no bairro da Cachoeirinha e, a cada ano, organizávamos o Festival de Música Cristã que já alcançava a sua quarta edição e contávamos sempre com a generosa ajuda de um conhecido jornalista do meio esportivo que atuava em um grande jornal do estado. Certo dia esse amigo incentivado pela juventude católica, resolveu sair candidato a vereador sendo inclusive eleito. Como estávamos envolvidos pela música em meio a compositores, instrumentistas e cantores, ele nos pediu que criássemos um jingle para sua campanha (muito pobre por sinal) canção essa que inclusive foi gravada dentro de um carro e entregue ao candidato tendo feito enorme sucesso.

Parte da letra do jingle dizia assim:”É tempo de eleição, faça o que diz seu coração. Aquele de entende a sua dor deve ser o candidato vencedor…”. Essa canção nunca me saiu da memória!

Pois bem, nos dias atuais em que se respira eleição, é preciso que, antes de qualquer coisa, os candidatos entendam a dor do eleitor. E quais as dores do eleitor mais agudas e também as crônicas?

Todo candidato é, antes, eleitor portanto, cidadão como outro qualquer com suas necessidades mais prementes e, tem a obrigação, de saber quais as dores  que perturbam a vida, o cotidiano, a família e a comunidade onde o cidadão/eleitor vive.

Ligamos a TV e o rádio, abrimos os jornais, recebemos os panfletos e lá estão as promessas, propostas, agendas e compromissos dos candidatos aos mais diversos cargos principalmente aos cargos no poder executivo com o mesmo rami rami, o mesmo lenga lenga numa avalanche de mais do mesmo e com uma tremenda pobreza de argumentos e falta de criatividade.

Uns candidatos com um caminhão de tempo de propaganda outros com espaço apenas para dizer o próprio nome, o número e o partido porém, a insistência das mesmas caras em concorrer, não consegue entusiasmar o leitor porque falta alma, falta vida e falta sobretudo sinceridade, aspectos estes, que o eleitor já não deixa mais passar desde que a aparição na TV se transformou na maior vitrine, mas também, na maioria das vezes, no maior terror para certos candidatos acostumados a se aproveitarem da plasticidade que já não engabela mais o atento eleitor.

Em termos de escolhas eleitorais fazer o que diz o coração parece num primeiro momento algo puramente romântico porém, devemos lembrar, que nosso órgão pulsante encontra-se apenas a trinta centímetros do cérebro este sim condutor e definidor da escolha por alguém que entenda de verdade a nossa dor, eu que também sou eleitor por óbvio.

Té logo!

*O autor é farmacêutico e empresário

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