Os diálogos a seguir foram obtidos junto a uma fonte pra lá de confiável porém, temerosa com as repercussões do caso, porquanto, no reino distante em que se passaram os fatos, os ministros da Corte de Máxima de Justiça-CMJ, acharam de
relativizar a Constituição sobre quebra do sigilo da fonte, num movimento nunca antes visto na história do império.
Como meus inteligentes leitores poderão perceber, esta é uma obra de ficção.
Nomes e personagens aqui descritos nada têm a ver com a realidade. Qualquer semelhança é mera coincidência.
Alguns séculos atrás no reinado de LISBRA, o Imperador Barbudos III andava em círculos na ampla sala do castelo preocupado com os movimentos nada ortodoxos de Eunucolumbre comandante em chefe do Câmara Alta.
Ele recordava, que alguns meses antes, havia sido advertido pelo seu vassalo mor Marmota, chefe da Câmara Baixa, de que se Eunucolumbre persistisse no rompimento com o palácio imperial, o castelo poderia ruir.
No dia seguinte, exatamente às 22:13 da noite, toca o telefone do castelo. Quem atende, como sempre, é Dona Esbanja, esposa do Imperador: -Benhêêê, é pra você! Barbudos III com aquela voz gutural e rouca tasca logo: -Alô quem fala?
-Aqui é Marmota meu amado e dileto imperador!
-Fala meu pequeno e elegante Marmota!
-Vossa Majestade tem que fazer as pazes com o chefe da Câmara Alta o mais rápido possível.
-O que tá pegando?
-Meu rei, se continuar assim, Eunucolumbre engole vosso reino e põe a todos nós em perigo com seus movimentos largos pro lado da turma da Rua Direita. Lembra do que ele fez com nosso ministro Messiânicus que V. Majestade indicou para a CMJ?
-Misericórdia! Nunca esqueci dessa traulitada do Eunucolumbre. -O que meu menino de ouro sugere?
-Meu reluzente Imperador, só quem pode nos salvar do eminente e reinante perigo é nosso inestimável amigo Carecônius mandachuva lá da CMJ.
-Como assim meu garoto preferido?
-É que Carecônius também pode pagar caro, caso a turma da Rua Diteita assuma o controle da Câmara Alta marcando impedimento dele e colocando ele na masmorra.
-Credo Marmota! Num é que você tem razão! E este seu Imperador querido também pode ruir. Vou já chamar o meu togado preferido Carecônius.
-Toca o telefone na sala da justiça.
-Ministro Carecônius, é o Imperador Barbudos III ao telefone!
-Diga meu imortal imperador! O que Vossa honrada Majestade manda?
-Cumpanhêru Carecônuis, quero a sua ajuda mais uma vez. Preciso que você convença do jeito que só você pode e sabe, o chefe da Câmara Alta, Eunucolumbre, de que ou a gente se une e salva nossas peles ou a turma da Rua Direita arranca e come nosso fígado.
-Xácomigo meu predileto imperador. Sei de todos os pontos fracos do Eunucolumbre e vou chamá-lo a uma conversa de pé de ouvido.
Alguns dias depois na sala vermelha do castelo do Imperador de LISBRA encontram-se para uma conversa amigável e desinteressada Barbudos, Carecônios, Eunucolumbre e Marmota.
Escalado para liderar o papo, Carecônius deu logo uma canelada em Eunucolumbre: -Seguinte, ou você baixa a bola e põe os projetos do nosso Imperador na pauta de votação ou libero aquele processo engavetado sobre as negociatas do SSIN em que você está enrolado. Tem mais dois casos em investigação sobre indicados seus nos ministérios da saúde e dos portos e posso segurar a onda dependendo apenas da sua boa vontade.
Sem pensar muito, Eunucolumbre olhou para Barbudos III e disse: -Mas meu adorável imperador, tava só aguardando seu chamado para tratar exatamente desse assunto. Diga logo o que é pra ser feito?
Barbudos sorriso largo mandou:-Cumpanhêru Eunucolumbre libere para votação os projetos da escala 6 X 1 e da Segurança Pública porque isso nos ajudará a mantermos o reino sob nosso controle nos próximos anos.
-Xácomigo meu sapiente imperador tá na mão!
Aproveitando o clima de descontração reinante, Carecônius mandou bala: -Ou nos locupletemos todos para salvarmos nossas peles ou a turma da Rua Direita leva essa eleição, faz a maioria na Câmara Alta, derruba você Eunucolumbre e parte pra cima da Corte Máxima de Justiça e me saca de lá junto com os Gilmalandrus, Rocambolis e Luciferina e nos manda para a masmorra.
Pronto! bastou esse recado para que todos partissem para a luta em favor do império, seus interesses, suas ambições e lutas porque ninguém é de ferro.
Como sempre, a imprensa paga pelo reino não viu nada de anormal em um imperador recorrer a um membro da CMJ e muito menos um togado da corte servir de meio para pressionar um chefe do parlamento a atender aos apelos do imperador. Credo!
Passaram-se alguns dias e Eunucolumbre pôs em pauta todos os projetos de lei de interesse do Imperador Barbudos. Marmota era só sorrisos. Carecônius inflou o peito de satisfação e alívio.
Desafortunadamente, essa trupe da pesada esqueceu-se de combinar o combinado com a turma da Rua Direita.
Turma esta que por sua vez, trabalha avidamente com a faca nos dentes e, parece que em 2027, porá em andamento o script traçado: Flavius I ocupará o reino que era do seu pai Capitânius XXII, fará maioria na Câmara Alta, elegerá o sucessor de Eunucolumbre, indicará mais quatro ministros para a Corte Máxima de Justiça e aprovará o impeachment de três ministros dessa mesma Corte. Oremos!
Té logo!
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