Cada época com sua cara

Por Dauro Braga*

Fazendo uma rápida análise sobre as épocas vivenciadas pela humanidade, verificamos que em todas as gerações, existiram fatos, objetos ou costumes que as marcaram intensamente, dando a cada uma delas a sua própria identidade. Numa análise mais restrita, para que a discussão não acabe em tese acadêmica, digo o seguinte: Na minha geração, fumar, se apaixonar, fazer serenata, se reunir para bebericar e conversar, fazia parte do cotidiano, podendo isso ser constatado em fotos e jingles de publicidade da época. Depois veio a geração beatnik com suas calças pantalonas, rock and roll, drogas, inovações tecnológicas, libertação da mulher e quebra de muitos paradigmas. Em todas essas épocas as pessoas em geral e os jovens em particular, queriam estar em grupo, discutindo, trocando ideias, cantando, fazendo novas amizades, etc.

Acho que as nossas necessidades afetivas, psicológicas e espirituais eram mais fortes e latentes do que as das gerações atuais , daí porque as amizades conquistadas naquela época eram muito mais sinceras e duradouras que as atuais. Os amigos que fizemos, alguns deles acompanhamos até a sua derradeira morada, e outros, ainda nos dão o prazer de uma convivência agradável e fraterna. Hoje, o que se observa nos locais onde várias pessoas estão reunidas, é que cada uma delas se encontra em estado de isolamento mental, embevecidas, tendo em suas mãos, laptops, iphones e outros apetrechos do mesmo ramo, pelos quais estabelecem contato com o resto da humanidade em animada conversação ou discussão acalorada sobre algum assunto, enquanto as pessoas ao lado parecem simplesmente não existirem.

Quando em sua conversa cibernética surge algum fato que lhe surpreende, dão gritinhos histéricos, ou proferem palavras desconexas, deixando os demais presentes sem nada entender, pois essas manifestações estapafúrdias e desconexas, mais parecem o linguajar daqueles que estão acometidos de Alzheimer ou esquizofrenia em estado avançado.

Um outro fato que marca de forma indelével a atual época, é a constante afirmação do negativismo, não sei se por conta da prodigalidade de fatos e coisas mais desagráveis à lamentar do que motivos alegres à comerorar, ou por receio de que possam dizer algo que lhes venha a comprometer no futuro . O certo é que, é muito comum as pessoas, principalmente, as autoridades constituídas, quando questionadas sobre determinado assunto que as incomoda, dizerem formalmente: Eu não vi nada; Não sei de nada; Não o conheço; Não vou falar sobre isso; Não é meu; Nunca estive lá; Não tenho conta; Esse dinheiro não é meu; E essa casa, essa fazenda, esse avião, esses carros, esse iate, esse apartamento e esse gado? Pergunta o interlocutor. Nada disso é meu. Teve um sujeito que ao ser indagado se conhecia uma determinada pessoa, que por sinal é sua esposa, para espanto de todos, simplesmente disse: Não conheço essa mulher! Insiste o abelhudo interlocutor. E esses rapazes que dizem ser seus filhos? Nunca os vi.

Diante de fatos tão bizonhos, chega-se a conclusão de que essa deve ser considerada uma geração perdida, pois é constituída de pessoas individualistas e desprovidas de todos os bens e valores de qualquer natureza, inclusive, da vergonha.

*O autor é empresário (daurofbraga@hotmail.com)

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