700 mil mortes de diferença

Prezado amigo Eledilson Colares, continuamos aperfeiçoando o imperfeito, mas fazer um gol nessa partida não é fácil meu irmão!

Por aqui acabou de acabar a eleição, Biruliro perdeu e Lulinha foi o grande vencedor. Completou e fez acabamento no “ triplex ” dele, foram 2 milhões de votos e 700 mil mortes de diferença. Não foi por um triz, foram muitos votos, é verdade que não foi de sete a um, mas foi o suficiente pra deixar o miliciano na lona e o cai-cai do Neymar em prantos, ele e a raça sertaneja, apelidada agora de sertanojo. Teve até orçamento secreto, com qual o cara comprou o estádio, a bola, os jogadores, os gandulas e ainda assim perdeu o jogo!

As fake news ganharam versão 2.0, além do Zap naqueles grupos da família, foram difundidas também no Telegram. Não, não é o Orkut, aquela ferramenta de comunicação dos incas, agora é o Telegram. Os minios se superaram, saiu de cartaz a mamadeira erótica e entrou o banheiro unissex, mas tudo dentro da margem de erro de dez pontos para mais e dez pontos para menos, auditados na deep web sob o olhar tênue de Xandão, o terror dos terraplanistas.

Lelê, as teorias do Calçada Alta se confirmaram: a fé tem implicações éticas com manipulação religiosa, sim, senhor. Antigamente, a igreja juntava as pessoas e dividia os bens. Hoje, a igreja junta os bens e divide as pessoas. De fazer inveja à Sodoma e Gomorra com o sagrado e o profano se misturando numa eterna profusão mercantilista.

Durante a campanha, transformaram a festa cívica em ode à vergonha nacional, com o 7 de setembro entreguista e golpista, tendo o coração safenado do colonizador como testemunha, vindo de Portugal. A imbecilidade se tornou uma doença epidêmica e terminal e a bizarrice tosca convocou “todos pela última vez” em defesa do imbrochável no bicentenário da república. Nem Simone de Beauvoir poderia imaginar tamanha arrogância, combinando com a insanidade de Damares, Azambelli e Janaína Paschoal. Puxaram o pino da granada de Bob Jefferson que fez nascer codornas em bandejas de ovos no mercadinho Brazil. Um fire no airfryer sem o óleo de soja do agro.

Lelê, desde o 7 X 1 eu não via tanta gente chorando com a camisa da seleção. Agora temos uma turma de carpideiras modernas que vai chorar até o próximo verão, estão fazendo greve por falta de votos, algo bizarro e surreal. Acamparam nos quartéis pedindo golpe militar e fizeram arruaça nas rodovias, lembrou ligeiramente aquele quebra-quebra de ônibus no mini-campus e ICHL, lembra?

E por aí, como estás? Robson Franco continua aprontando? Deco e Seringueiro ainda brigam muito ou voltaram a ser amigos? É, naquele tempo o ódio ainda não era ódio, era só exercício de elocubração mental onde se presenciava o bom combate e o verdadeiro duelo com troca de gentilezas do tipo: seu sacripanta, apedeuta, cáspita, beócio, vai tomar no teu orifício surrealista. As pérolas de Deocleciano e Seringueiro!

Tenho que te confessar, eu achava que o hospício era naquela época com a “turma do dominó”, onde me divertia andando no cata-corno lotado, apoiando o quebra-quebra dos ônibus no mini-campus, com a confusão e vias de fato entre Nobre Leão e Odenildo Sena, apoiando a Borduna Democrática em eleição do DCE e tudo mais.

Hoje, no Brasil de Waldemort tá de lascar, é arminha e tiro pra todo lado, é miliciano, é pastor fascista. E aqui no Amazonas também na mesma direção, o mequetrefe do repórter policial se reelegeu com o apoio do fariseu da capital, mesmo com a agonia do 28 de Agosto e com a falta de oxigênio. É, eu sei, faltou ar pra ti também, um escárnio. Essa mancha de sangue vai ficar grudada nas mãos desse repórter, dublê de governador e do seu capetão também, como um pitiú terminal, que nem perfume Malbec, comprado na loja de vinhos, onde eles também compraram os respiradores, tira.

Mas, é a vida, né? O que seria da gente sem a vida? Agora, me sinto no dever, em busca da sanidade, de consultar Nietzsche, Lacan e Freud a cada dia, ao ponto de recorrer aos serviços de Manoel Galvão e Rogélio Casado, com a devida vista, vênia e autorização de Herman Marinho.

Ou então, como minha dose de cannabis venceu, está quase mofada e enrolada na folha da bananeira, acho que vou abandonar meu psiquiatra e meu neurologista. Vou fazer melhor! vou criar um grupo de whatsapp (como administrador) e adicionar todos: meu terapeuta, uma taróloga e um pai de santo com o consentimento de Alberto Jorge, claro. Eles que troquem mensagens, conversem e se entendam. Fazer um gol nessa partida não é fácil meu irmão, já dizia Gil.

Lelê, uma última nota de rodapé: o teu Rio Negro secou, é muita pleura ambiental, mas em breve o Galo lotará a Arena Vivaldão numa partida colossal. Já que não guardo rancor de ninguém, mas com a memória viva pra lembrar de quem largou minha mão, pela paz eu bloqueio, apago e ignoro. Manda um abraço aí pro Paulão e pro Levino, tá okey!

*Apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco.

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