O governador Wilson Lima (União) inaugurou ontem o Hospital do Sangue Idenir de Araújo Rodrigues, uma obra que durou nada menos que 12 anos e teve sua inauguração adiada diversas vezes, o que a tornou objeto de muita pressão da sociedade. Com 184 leitos, incluindo 16 de UTI adulto e pediátricas, o hospital amplia em 254% a capacidade assistencial do atendimento hematológico no estado.
O governador tentou justificar a demora da obra. “Essa é uma obra que data de 2014. Quando nós assumimos em 2019, ela tinha algo em torno de 20 a 24% de obra física concluída. Hoje nós damos um passo importante, saindo de uma estrutura de 52 leitos para aproximadamente 180 leitos. Esse sempre foi um desejo do Hemoam, dos servidores, pesquisadores e pacientes e, agora, entregamos uma estrutura que será referência no tratamento de doenças do sangue na região Norte”, afirmou.
Ele responsabilizou os governadores anteriores pelo atraso da obra, que teve projeto elaborado ainda no governo de Omar Aziz (PSD) e iniciou de fato na gestão de José Melo (sem partido), passando depois pelos interinos David Almeida (Avante) e Amazonino Mendes, já falecido. Segundo Wilson, o projeto foi retomado a partir de 2019, quando a obra apresentava menos de 25% de execução, quase cinco anos de início.
O que ele não explica é porque, sob sua caneta, a obra durou mais de sete anos, até porque os trabalhos ficaram paralisados entre 2017 e 2018, por causa da cassação de José Melo, que provocou um bug nas obras estaduais. Na prática, portanto, foram menos de três anos de obra antes de Wilson, o que já seria um absurdo, e todo o período de governo dele.
Localizado na avenida Pedro Teixeira, zona centro-oeste de Manaus, o hospital recebeu investimento de R$ 58,6 milhões, recurso frutos de parceria entre o Governo do Amazonas e o Governo Federal, que Wilson faz questão de omitir, em razão de seu alinhamento com a direita.
Estrutura
O Hospital do Sangue foi projetado para ampliar o acesso da população a serviços de média e alta complexidade no tratamento de doenças hematológicas. A unidade conta com 184 leitos, incluindo 16 leitos de UTI adulto e pediátrica, além de centro cirúrgico, hospital-dia e ambulatórios especializados.
Entre os serviços ofertados estão o atendimento em hematologia clínica, onco-hematologia, tratamento de leucemias, linfomas e outras doenças do sangue, além de terapias especializadas e acompanhamento multiprofissional.
A estrutura também tem um parque tecnológico voltado ao diagnóstico, com tomógrafo, ultrassonografia, ecocardiograma, eletrocardiograma, raio-x e doppler transcraniano, além de laboratório especializado para exames hematológicos.
Outro avanço previsto com o novo hospital é a implantação progressiva do serviço de transplante de medula óssea, considerado um marco para a saúde pública do Amazonas. A medida permitirá reduzir a necessidade de encaminhamento de pacientes para outros estados por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
A unidade atuará de forma integrada à rede estadual de saúde e ao Complexo Regulador do Amazonas, garantindo acesso organizado aos serviços especializados para pacientes da capital e do interior, incluindo populações ribeirinhas e indígenas.
Investimento
O Hospital do Sangue recebeu investimento total de R$ 58,6 milhões. Desse valor, R$ 21,3 milhões correspondem à contrapartida do Governo do Amazonas com recursos estaduais, sendo o restante do valor pago por meio de emendas de bancada pelo Governo Federal.
O hospital será gerenciado pela Fundação Hemoam, por meio de processo de contratualização com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). O modelo estabelece metas assistenciais, indicadores de qualidade e mecanismos permanentes de monitoramento da produção hospitalar.
O custeio da unidade será assumido pelo Governo do Amazonas, com investimento estimado em R$ 165 milhões por ano, garantindo a manutenção da estrutura e o funcionamento pleno dos serviços.
Homenagem
A unidade recebeu o nome de Idenir de Araújo Rodrigues, servidora histórica da saúde pública do Amazonas, que dedicou 44 anos ao serviço público estadual, com atuação em órgãos como Susam, Fundação Alfredo da Matta, Ipaam e Fundação Hemoam.
Filho da homenageada, o empresário Thiago de Araújo Rodrigues destacou a importância do reconhecimento à trajetória da mãe.
“Esse momento é uma coroação para o trabalho de uma vida. Uma pessoa que realmente tinha um compromisso ético e moral com o funcionalismo público. Ver essa homenagem hoje é um privilégio para nossa família e um reconhecimento a toda dedicação dela ao Estado do Amazonas”, afirmou.
Esperança para pacientes
Para os pacientes que dependem do tratamento hematológico no Amazonas, a inauguração do hospital representa um avanço significativo na rede de assistência.
O presidente da Associação de Hemofílicos do Amazonas (Aham), João Bithy, ressaltou que a nova estrutura traz mais segurança e esperança para quem enfrenta doenças do sangue.
“Esse momento de hoje é grandioso. Hoje nós estamos aqui com a esperança de chegar e ter tratamento. É um marco grande na vida dos pacientes. Agora teremos mais estrutura, exames e a possibilidade de realizar procedimentos aqui mesmo, trazendo mais segurança para todos”, disse.
Cobranças
Em novembro de 2025, o deputado Wilker Barreto (Mobiliza) chamou atenção para a ausência de previsão orçamentária para o funcionamento do Hospital do Sangue na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 encaminhada pelo Governo à Aleam.
Após oficiar a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) solicitando informações sobre a previsão de inauguração e início das atividades da unidade, o deputado teve acesso às planilhas orçamentárias da fundação. Os documentos apontavam uma despesa mensal estimada em R$ 13 milhões, com projeção anual de aproximadamente R$ 163 milhões para o exercício de 2026. A previsão havia sido encaminhada à Secretaria de Estado de Saúde (SES/AM), mas não foi incluída no orçamento estadual.
Ainda em 2025, durante fiscalização realizada no novo prédio, o parlamentar voltou a cobrar urgência do Governo e da SES para colocar a unidade em funcionamento, alertando para os prejuízos causados tanto ao tratamento de pacientes quanto ao erário público, incluindo recursos federais investidos na obra.
Na ocasião, diante da votação da matéria orçamentária, Wilker sugeriu que o Legislativo apresentasse emenda impositiva ou ajuste no relatório da LOA para corrigir a falha. No entanto, a proposta não foi aprovada.
Em janeiro deste ano, o deputado reuniu-se com a presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE/AM), conselheira Yara Lins, e com a procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), promotora Leda Mara Albuquerque, para tratar da demora na abertura da unidade.
Durante a reunião, Wilker propôs a realização de um novo encontro envolvendo os órgãos de controle, a Secretaria de Estado de Saúde e a direção do Hemoam, com o objetivo de estabelecer um cronograma e uma data concreta para a entrega do hospital à população.
A deputada Mayra Dias (PSD) apresentou o Requerimento nº 3433/2025 solicitando informações ao Governo do Estado, à Secretaria de Saúde e à Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHEMOAM) sobre a situação da construção.
“Essa é uma conquista muito aguardada. Cobrei diversas vezes na tribuna da Assembleia e apresentei requerimentos porque sempre soube da importância dessa estrutura para o nosso estado”, afirmou a deputada.
Segundo a parlamentar, a conclusão da obra era uma demanda antiga da população e exigia respostas do poder público diante do longo período de espera para a entrega da unidade.
“Depois de 12 anos de espera, essa entrega representa mais esperança, tratamento e dignidade para pacientes e famílias que enfrentam doenças do sangue no Amazonas. Seguiremos acompanhando para que o hospital funcione plenamente”, declarou Mayra Dias
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