“Vocês pensam que o mundo é perto?”

Minha saudosa mãezinha D. Lélia era uma frasista de primeira. Já o disse nesse espaço algumas vezes e até escrevi um artigo com suas tiradas prediletas.

Mais adiante direi o real sentido dessa frase que intitula esse artigo e quero com isso me dirigir aos jovens da atualidade.
Outro dia, recebi por uma das redes sociais das mais acessadas, um vídeo muito edificante e inspirador, em que um filho entrevista o pai de 84 anos de idade.
Começa o entrevistador perguntando qual a escolaridade do genitor e ele responde:-Terceira série do ginasial! Penso eu que isso deva corresponder, atualmente, a mais ou menos ao último ano do secundário.
Prossegue o filho com perguntas sobre matemática, geografia, língua estrangeira, história, ciências e finanças.
Nenhum erro e nenhum titubeio por parte do idoso!
Aí eu me ponho a imaginar e sei igualmente que muitos outros dos meus amigos de redes sociais para os quais eu enviei o instigante vídeo também o fazem, de como muitos jovens de hoje até os de nível universitário, se comportariam diante das mesmas indagações feitas ao sábio velhinho.
Não me resta a menor dúvida de que as respostas seriam um retumbante desastre!
A julgar pelo que já assisti de vídeos de programas de auditório nos quais apresentadores disparam uma série de perguntas para uma fila de jovens e cujas respostas coram de vergonha não somente professores mas também os telespectadores, não é difícil imaginar que a juventude brasileira e o ensino regular precisam de novos rumos.
Da mesma forma, vez por outra assisto a uma turma de humoristas e instrumentistas os quais jogam perguntas despretensiosas nas portas das escolas em dias de ENEM e de concursos públicos, instando os jovens, por meio da música, a concluir uma frase em forma de perguntas que transitam da geografia, passam pela história e vão até à ciência.
As respostas são uma verdadeira catástrofe!
Agora, vá perguntar a um desses mesmos jovens, o nome da banda estrangeira de rock australiano da moda? Sem pestanejar eles respondem.
Pergunte o nome da música sucesso da cantante americana de rap da moda? Na mosca! e ainda saem cantando a música no idioma original.
Desafortunadamente, há uma lamentável inversão de valores nesse doloroso processo ensino/aprendizagem não somente pelo lado do professor mas, sobretudo, por parte do aluno e da própria família que, com crescente é sofrível raridade, participa da vida educacional dos filhos.
Não estou aqui querendo culpar pessoas, julgar os métodos ou vociferar sobre a juventude.
Ao contrário, quero sobretudo jogar luzes sobre o tema e admoestar famílias e os jovens sobre um futuro incerto e cada vez mais distante, se falarmos em independência financeira, carreira profissional, sustentação de si próprio ou da família, autoestima, ampliação de horizontes pessoais e, sobretudo, a revolução do meio social, da cidade, do estado e do país em que vive esse jovem.
Lógico que há situações isoladas e coletivas de sucesso nesse meio educacional e social nebuloso em que habitamos.
Mas, são situações excepcionais onde deveríamos obrigatoriamente observar uma prática e uma lógica corriqueira, se julgarmos que o ensino é um direito de todos porquanto, no Brasil, a constituição assim o determina.
Dona Lélia tinha sempre razão!
Quando alguns dos seus filhos queriam alcançar tudo com muita facilidade, com o mínimo de esforço e com o máximo de doação por parte dos pais, ela sacava essa pérola: -Vocês pensam que o mundo é perto? Ou seja, primeiro estudem, se esforcem, trabalhem, façam por merecer e aí sim, poderão conquistar o mundo por mais distante que ele esteja.
Antes de ensinar seus filhos a rebolar o bumbum, ao invés de colarem as ventas diante da TV pra assistir os famigerados BBB da vida e darem preferência ao futebol, aos programas de MMA ou às manhãs de culinária ou fofoca, ensinem seus filhos a buscarem nos meios de comunicação aquilo que desperte os neurônios para a análise contextual da vida e do mundo, para discussão de ideias sobre política e sobre os conflitos sociais ou para aquilo que edifica a alma e o espírito por meio dos programas religiosos.
Amem seus filhos e vivam com eles a essência do aprendizado que constrói pontes que ligam mundos e descortinam horizontes.
Queiram bem seus filhos e evitem que aprendam a elevar muros que os separam do futuro mais promissor ou que tapam a visão ante o fracasso real do outro lado.
Os mais próximos dos mundos são os mundos das drogas, da perdição, da apatia educacional, da alienação social e da apostasia religiosa. É tudo uma questão de escolha!
Os mundos que levam ao sucesso pessoal, profissional e social estão mais distantes e requerem portanto mais esforço, dedicação e mais perseverança para serem alcançados. Isso também é uma escolha e tem um preço. Pense nisso!
Té logo!

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