Vida, dom divino

A sociedade cada vez mais experimenta e de um modo cruel e indecifrável, os assassinatos isolados ou os morticínios cometidos algumas das vezes até pelos próprios parentes das vítimas e quase sempre dentro de casa ou nos ambientes menos improváveis.

São pais que matam filhos, filhos que assassinam seus pais; jovens que atiram e matam inocentes em escolas, igrejas, lojas e supermercados e homens que invadem espaços para cometer massacres.
Enfim, pessoas são mortas de modo frio, sem defesa e aparentemente sem causa que justifique tais desatinos.
Penso que no passado não muito distante, isso não era muito diferente, entretanto, com a velocidade da informação proporcionada pelas redes sociais e pela mídia eletrônica, parece que atualmente isso se dá de modo mais frequente. É apenas uma falsa sensação.
Mas não é esse o foco do artigo.
Sinto necessidade de expor o que penso a fim de lançar luzes sobre o tema haja vista, na maioria das vezes, a forma torpe e fria com que se continua a praticar o assassinato de inocentes principalmente entre crianças e jovens indefesos.
Não quero crer que o acesso às armas seja a principal causa de tantos e repetidos episódios dessa natureza porquanto, em países em que, tradicionalmente, o porte e a posse de armas além de antigo são largamente utilizados, nem por isso os índices de mortes ou massacres são comuns ou maiores.
Lógico que alguns desavisados a propósito de uma corrida pelo desarmamento, insistem em evocar que a principal causa desses episódios estão relacionados com maior acesso às armas por parte da população.
Pensar e agir assim é de um reducionismo cavalar posto que, como já dito antes e fazendo uma digressão de como a humanidade se armava e se defendia independentemente do estado de guerra, nem por isso os acontecimentos parecidos com os que vivenciamos hoje eram maiores.
Atrás desses eventos de triste e lamentável nota, há sim motivos e motivações como gatilhos a disparar tais episódios.
No meu humilde e estreito raciocínio, para que essas motivações ganhem corpo, algo se destaca e, de longe, serve como pano de fundo para o cometimento de tantas mortes e tragédias.
Falo da crescente falta de fé, de espiritualidade e de religiosidade na vida das pessoas.
Sem algo que lhes proporcione conforto e consolo diante das dificuldades, muitos, no desespero e com a alma atormentada, não dão valor à própria vida e muito menos à vida alheia. O egoísmo e o egocentrismo lhes preenche o enorme vazio existencial e, subtrair vidas humanas, parece ser o escape para suas idiossincrasias.
Para essas pessoas, Deus nunca foi uma fonte segura a lhes proporcionar conforto espiritual e segurança emocional que lhes garanta um caminhar terreno saudável e equilibrado no meio das demais criaturas.
Tivessem um propósito de fé, uma âncora espiritual ou um equilíbrio de alma, muitos, com certeza, haveriam de refletir e procurar ajuda e conforto no lugar certo que é o regaço de Deus, fonte inesgotável de misericórdia, perdão e conselhos.
Decerto que a boa formação no seio de uma família que acolhe, educa e instrui, trazem de alguma maneira o equilíbrio necessário a ajudar nessas horas mais cinzentas de desespero e de falta de horizontes.
O ambiente da espiritualidade saudável onde quer que ele se dê, ensina as boas práticas da convivência fraterna e do respeito à vida dos outros e de si mesmo.
Sem a prática ou sem a busca pelos ensinamentos das coisas do alto, não se aprende a olhar o outro como criatura e Deus e, sem esse olhar, o outro é um mero objeto sem alma, portanto, sujeito à crueldade pela morte sem causa.
Mas apenas isso é o suficiente?
Afirmo que não! senão estaria agindo igualmente com reducionismo.
Para muitos desses episódios, há que se destacar a ausência do estado com políticas públicas sociais de inclusão especialmente educacionais o que muito ajudaria a mitigar os efeitos deletérios dos assassinatos e seus desdobramentos.
Mas isso também não basta, senão, nas sociedades onde há pleno emprego, distribuição de renda para redução dos níveis de pobreza, onde há a preocupação com a segurança alimentar ou onde os desníveis sociais são menores, esses fatores não têm sido capazes de evitar episódios de desequilíbrio emocional ou de desespero social, tendo como consequência os ainda lamentáveis casos de mortandade por massacres e assassinatos frios e covardes.
O mundo precisa buscar em Deus as respostas para suas enfermidades sociais e humanas e, a partir de uma experiência com Ele, encontrar a solução na fraternidade, no respeito e na convivência que constrói pontes e derruba barreiras.
Mais Deus e menos miséria espiritual.
Mais vida e mais respeito a ela.
Vivamos e deixemos viver.
Eis as fontes inesgotáveis de equilíbrio para a humanidade.
Té logo!

Qual Sua Opinião? Comente: