Velha política e imprensa envelhecida

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Se é velha é porque não se renovou e se é envelhecida é porque não procura rejuvenescer.Como primícias devo reconhecer que há bons e éticos políticos e jornalistas assim como há meios de comunicação respeitáveis e confiáveis.

Em certas situações política e imprensa são gêmeos quase siameses colados de alguma forma por interesses que se entrelaçam ou por questões que as aproximam e complementam; uma não vive sem a outra e, por vezes, agem por circunstancialismos ora se protegendo ora se atacando dependendo dos atores envolvidos e da pauta em questão.

A política é livre e a imprensa igualmente o é embora, ambas sigam uma ordem normatizadora que, em determinadas situações, não impede aqui e acolá que uns e outros (felizmente a minoria) extrapolem os limites éticos que norteiam essas atividades.

Quando certos meios de comunicação agem como chapa branca permitindo que a política siga livre, leve e solta o perigo ronda a democracia tendo em vista que a imprensa são os olhos, ouvidos e bocas do cidadão este que se manifesta por seu intermédio protestando, denunciando, sugerindo ou criticando políticos e governos. De outro giro, se a imprensa apenas se presta para atacar, constranger ou cobrar sem limites também põe em perigo a mesma democracia da qual ela é igualmente guardiã.

Digo tudo isso diante da minha observação e percepção sobre fatos recentemente registrados pela imprensa os quais envolvem a querela entre o Presidente da República e o Presidente da Câmara Federal e dezenas de outros episódios somenos importantes porém, amplificados por parte de uma imprensa comprometida apenas em ver o circo pegar fogo.

E o que é a “velha política”? E o que que são aqueles que a praticam, a defendem, a propagam e protegem?

O nível aterrador de corrupção, as articulações por debaixo dos panos, o toma lá dá cá, o apadrinhamento político, o nepotismo, as licitações fraudulentas, os cargos ocupados por gente despreparada, os bilhões desviados das estatais, o nefasto uso do caixa dois nas campanhas políticas, os impiechments de presidentes, a prisão de ex presidentes e de centenas de outros políticos com e sem mandato, o poder judiciário acuado e refém da política, os tribunais de contas apinhados de gente apadrinhada e sem talento para os cargos, as obras faraônicas sem sentido, o caos na saúde e segurança públicas, a infraestrutura desmantelada, um poder legislativo inerte e anacrônico, uma educação em frangalhos e um povo pobre de esperança e materialmente, tudo são frutos de dezenas de anos de uma política exercida e comandada pelos mesmos personagens ou pelos mesmos grupos de poder que mereceram de parte de uma imprensa comprometida com esses desmandos toda sorte de proteção e afagos. Essa é a velha política! Essa é a imprensa envelhecida!

Pois é a essa velha política que o presidente Bolsonaro teima em não se render e que o jovem e ambicioso presidente Maia teima em resistir para manter.

No meio desse imbróglio surge e ressurge o pitaco de analistas e comentaristas políticos ligados às grandes redes de comunicação que, entalados pelas próprias convicções e palavras, gaguejam num tatibitate indefectível na tentativa de explicar o inexplicável do porque o que antes era abominável agora é permissivo, o que antes era vergonha agora é aceitável, o que antes merecia comentários e posições visceralmente contrários agora recebem análises mornas e até favoráveis.

Há que se reconhecer que o bom jornalismo existe e os bons profissionais da imprensa devem ser exaltados pois fazem parte da banda boa e ética, entretanto, são uma minoria resistente, como também há que se render ao fato de que existem bons políticos em meio ao caos que reina nos parlamentos nos três níveis de poder do país.

Não haverá nação livre com uma imprensa amordaçada e envelhecida nas suas posições, convicções e conveniências e, nenhum povo se sustentará se a política continuar a ser comandada por políticos velhacos que defendem o exercício de uma velha e carcomida  política com seus vícios e práticas que ousam a continuar olhando apenas para seus próprios umbigos.

Té logo!

*O autor é farmacêutico bioquímico e diretor-presidente da Fundação Alfredo da Matta

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