Um encontro encantador

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

“Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?”(Lc 1,39-56).

Por única testemunha dessa linda cena se encontrava Zacarias, esposo de Santa Isabel, pai e mãe de São João Batista numa das mais significativas passagens da Bíblia.

São Lucas, talvez o evangelista mais admirador de Maria a Mãe do Salvador, retrata de maneira carregada de simbolismos aquela que poderia ser considerada uma prosaica visita de uma  parenta a outra, mas, não foi apenas isso o que aconteceu naqueles dias.

Além do parentesco, Maria e Isabel ostentavam naquela época uma condição que somente às mulheres é concedido por Deus, a gravidez, fato este que desencadeou esse que pode ser considerado um dos mais eloquentes encontros narrados nos evangelhos.

Conta São Lucas que Maria dirigiu-se apressadamente para encontrar sua prima Isabel cuja cidade em que morava distava cerca de cento e cinquenta quilômetros da casa de Maria portanto, para quem estava grávida como a Mãe de Deus, era uma viagem longa e sacrificante por uma região montanhosa e em lombo de jumento, único meio de transporte da época.

E porque Maria resolveu empreender tão penosa viagem para encontrar-se com sua prima Isabel?

Não é uma atitude de fácil compreensão do ponto de vista meramente humano porém, há que se recordar que Isabel grávida de seis meses de São João Batista, último profeta antes do nascimento de Jesus, e seu percursor e anunciador, portanto, Maria, plena da graça do Espírito de Deus, sabia não somente das condições de infertilidade e de velhice mas, sobretudo,do milagre que foi a gravidez da sua prima o que lhe foi predito pelo Anjo Gabriel.

Conta o evangelista que Maria ao tomar conhecimento da gravidez da sua prima sentiu enorme desejo de ir visitá-la não somente no sentido meramente protocolar mas sobretudo para ajudar Isabel, já idosa, nos deveres da casa tanto que Maria pousou por lá por pelo menos três meses e ajudava com alegria e desprendimento virtudes próprias de mulheres e mães que sabem e sentem quão importante é a maternidade.

Aí está portanto o primeiro e talvez o mais simplório significado da vista: ajudar quem precisa e ajudar não apenas no sentido dos afazeres domésticos mas, ser solidária, prestativa e companheira numa fase tão emblemática para as mulheres; Maria muito jovem e no vigor das suas forças e Isabel já idosa e cansada.

Um segundo e também significativo gesto desse lindo encontro foi a humilde e poderosa saudação que Isabel fez a Maria ao reconhecer que, de fato, ela seria a Mãe do Salvador:“Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor me venha visitar?”.

Percebam o quanto de poder há nesse encontro pois a futura mãe do precursor do nosso Salvador encantada e movida pela ação do Espírito de Deus reconhece que sua prima seria o canal da graça do Pai para, querendo se fazer homem no meio de nós, usar de uma pobre e humilde menina para habitar na terra.

O terceiro e mais extraordinário significado que o encontro de Maria com Isabel nos proporciona é a saudação que Isabel profeticamente exclama tão logo o rebento que carregava pula de contentamento no seu ventre:”Bendita és tu entre as mulheres, e é bendito o fruto do teu ventre!”.

Aí estão as palavras bíblicas a expressar o que os cristãos católicos repetem na oração da Ave Maria num continuado gesto de recordação, agradecimento e reconhecimento do significado do SIM daquela menina mulher que permitiu que todos nós, homens e mulheres de Deus, nos tornássemos seus filhos e filhas e entoássemos a cada ano, no Natal de Jesus, cânticos de alegria e felicidade com o mesmo entusiasmo com que Maria entoava canções ao visitar e ajudar sua prima Isabel e, cujo filho que carregava no seu ventre, se torne para nós não somente mero símbolo do mês de dezembro mas, sobretudo, modelo permanente por todo o ano de amor, esperança, caridade, fé e presença constante de Deus entre nós.

Por último e para coroar este inefável e terno encontro entre duas extraordinárias mulheres de Deus, ouvimos Maria recitar o Magnificat ou Cântico de Maria, uma prova inconteste do quanto a Mãe de Deus diante de Santa Isabel, prova-se preparada pois da sabia entoar as orações de sua fé reconhecendo no Criador a fonte de graça, sabedoria, poder e misericórdia para todas os homens e nações.

Que nesse Natal saibamos aprender com Maria e com Isabel a valorizar as coisas sublimes da vida, a ajudarmos os outros, despertarmo-nos para os dons de Deus, entoarmos cânticos alegres e edificantes e abrirmos nossa casa para a visitação e permanência do Menino Deus na nossa família, no nosso trabalho e na nossa comunidade.

 UM FELIZ e ABENÇOADO NATAL aos nossos fiéis leitores.

Té logo!

*O autor é farmacêutico e empresário

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