Trinta metros

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Trinta metros

Havia uma segura e expectante motivação em muitos manauaras entre autoridades, estudiosos do tema  e gente simples do povo, de que a enchente do Rio Negro esse ano pudesse ultrapassar sua marca histórica após quase cento e vinte anos desde quando se começou a medir as cheias no ano de 1902.
E, o que era expectativa e até aposta por parte de alguns, finalmente se  confirmou no dia dia 01 de junho. O Rio Negro alcançou a notável cota máxima (cheia provável de um rio que influencia nas edificações e estruturas postas em sua margem)com 29m e 98cm.
E foi mais longe, no dia 05 de junho a enchente alcançou o recorde dos recordes chegando a 30m.
Consultando informações históricas sobre esse fenômeno que povoa a memória e mexe com a vida de muitos amazonenses especialmente de Manaus, pude extrair alguns dados curiosos os quais divido com meus leitores:
-A maior diferença até agora entre duas grandes cheias se deu entre os anos de 2009 e 2012 que foi de 20cm(29,77 para 29,97);
-O maior tempo de demora(97 anos) pra se bater recorde de uma enchente pra outra foi entre os anos de 1922(29,35) e 2019(29,42);
-As cinco maiores cheias se deram nos anos de  2012-29,97m, 2009-29,77m, 1953-29,69m, 2015-29,66m e 1976-29,61;
-As cinco maiores secas ocorreram nos anos de 1916(14,42m), 1997(14,34m), 1906(14,20m), 1963(13,65m) e 2010 sendo esta última a maior vazante quando o rio ficou com a cota de 13,63m;
-As cinco menores cotas máximas foram 1926(21,77m), 1912(24,84m), 1992(25,42mm), 1964(25,91m) e 1980(26,00m);
-As cinco maiores diferenças entre cheia e seca num mesmo ano foram em 1977(14,62m), 1909(14,13m), 1953(12,62m), 1952(12,44m) e 191612,21m;
-As menores diferenças entre cheia e seca alcançadas num mesmo ano se deram em 1912(05,45m), 1968(06,10m), 1985(06,53m), 1974(06,62m) e 1986(06,74m);
Esses dados, além de aguçarem nossa curiosidade enquanto leigos, servem como fontes de informação para estudos técnicos de engenharia, geologia, climatologia e meio ambiente, se aproveitados sem paixões.
Eles determinarão por exemplo, de que forma as autoridades e os organismos urbanísticos e de infraestrutura da cidade, haverão de estabelecer o que se denomina o grade(greide) ou altura mínima das obras nas margens dos rios elevando pistas, patamares de obras e pilotis de prédios.
Nos meus mais de seis décadas de vida pude vivenciar algumas dessas cheias do nosso belo e portentoso Rio Negro.
Nos últimos 50 anos aconteceram as maiores enchentes e secas e percebi o quanto que isso orienta nossa vida, mexe com nossos costumes, define novos modos culturais e impõe uma série de desafios a todos quantos vivem nas margens dos rios ou deles dependem no seu dia a dia.
Nosso caboclo, que conhece esses fenômenos, sabe muito bem lidar com eles apesar dos sofrimentos, perdas e toda sorte de dificuldades.
As autoridades municipais, do mesmo modo, tem suas obrigações a cumprir pois, arregimentam recursos, preparam o terreno, estabelecem programas sociais e de infraestrutura a fim de tornar menos dificultoso e desgastante para a população, tudo o que uma enchente carrega consigo e permeia a vida já sofrida dos nossos ribeirinhos.
O comércio localizado nas margens dos rios e igarapés transbordantes, se adaptam e vão em busca de novas formas de manter viva a atividade ou mudam de local.
Esse ano, mais do que em todos os anteriores, há recorde também no número de cidades atingidas pela cheia dos rios são mais de 90% dos nosso municípios. Confira:

Rio Negro – Barcelos, Manaus e Novo Airão, São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro; Calha do Madeira – Borba, Manicoré, Nova Olinda do Norte e Novo Aripuanã;Calha do Baixo Solimões – Careiro Castanho; Codajás Calha do Médio Solimões – Jutaí, Fonte Boa, Japurá, Maraã, Uarini, Alvarães, Tefé e Coari;  Calha do Baixo Solimões – Anamã, Anori, Caapiranga, Manacapuru, Careiro da Várzea, Iranduba e Manaquiri;Calha do Médo Amazonas – Itacoatiara, Silves, Autazes, Urucurituba e Itapiranga;Calha do Baixo Amazonas – Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Nhamundá, Urucará, São Sebastião do Uatumã, Parintins e Maués;Calha do Alto Solimões – Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Iça, Atalaia do Norte, Tonantins e Tabatinga;Calha do Juruá – Guajará, Envira, Eirunepé, Itamarati, Ipixuna, Carauari, Juruá;Calha do Purus – Beruri, Pauini, Boca do Acre, Lábrea, Canutama, Tapauá.

Não é algo fácil apesar de já estarmos acostumados ano após ano a enfrentarmos o fenômeno especialmente da cheia.

O crescimento populacional e urbano desordenado se associa de modo negativo com as enchentes e impõe novas e desafiadoras dificuldades aos gestores públicos estes que têm que destinar recursos e programas específicos para mitigar os efeitos do fenômeno.

Em meio a tudo isso vêm os pseudo cientistas e ecofundamentalistas associando esse fenômeno das cheias ou secas ao desmatamento. Mal sabem eles que o fenômeno é meramente cíclico e diz respeito apenas e tão somente às razões de cunho da própria natureza, ela sim, que se impõe e delimita no espaço e no tempo quando teremos cheia ou seca.

A mão humana ainda não foi, e nem será tão cedo, suficientemente forte e capaz, para impor condições à natureza e determinar quando e em que condições e espaço de tempo uma cheia ou uma seca baterá recorde.
Deus sim, na sua onipotência, sabe definir e impor sua soberana vontade sobre sua criação.
Té logo!
Fontes: CPRM/ANA/Amazônia Real/SCiElo/G1Amazonia/SANEPAR/Secas na Amazônia-Causas e consequências/

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