Tempos de carestia 

Já nem lembro mais quando, pela primeira vez, eu fui a um supermercado para fazer o rancho mensal familiar. Sou casado há mais de trinta e seis anos, com dois filhos e com despesas fixas e variáveis mensais que consomem quase todo o salário restando muito pouco para o lazer porque, nem mais para poupar, o salário atual congelado permite.

Penso ser essa a rotina cada vez maior de pais de família brasileiros diante do descalabro inflacionário que corrói o salário, destrói planos futuros e infelicita parte da sociedade sem perspectivas.
Nem me arvoro o direito de fazer análises macro e micro econômicas a fim de chegar às razões e conclusões de quem ou quais fatores são os culpados pelo atual estado em que se encontra a economia ou até onde suportaremos essa corrida de aumento de preços.
Entretanto, como assalariado e aposentado que sente no bolso as pressões dos custos para sustentar uma família, posso sim tecer opinião, fazer contas e até apresentar caminhos os quais possam lançar luzes nesse mar escuro de desmandos de preços.
Do ponto de vista das debilidades, todos sabemos que o Brasil é um país dependente economicamente, que possui uma moeda fraca, que não produz bens de capital suficiente, que ainda importa petróleo, que depende de insumos de alta tecnologia, que possui os modais de transporte e de frete os mais caros do mundo e, com grande parte da sua população, em permanente estado de fragilidade social, portando, dependente das políticas públicas para sobreviver.
Em se falando das nossas poucas fortalezas, necessário falar que somos autossuficientes na produção de hortifrutigranjeiros e de proteína animal, temos as maiores áreas agricultáveis do planeta, possuímos os melhores ambientes climáticos para a agricultura, temos uma indústria automobilística de ponta aliada à crescente demanda tecnológica para fabricação de bens eletroeletrônicos e linha branca entre outras virtudes.
Acontece, que naquilo que deveria fluir de benefícios entre as fortalezas e as fragilidades, temos a política que mais atrapalha que ajuda mas, temos um povo extremamente forte e trabalhador, como maior vítima dessa desordem econômica e financeira.
Nem venham dizer que a culpa por esse descalabro está nos costados da pandemia porque essa desculpa não cola.
A uma, porque esse lugar comum de colocar a culpa em fenômenos climáticos, sanitários ou de natureza externa é conversa pra boi dormir.
A duas, porque bem que governo e parlamentos federais, estaduais e municipais sabem muito bem quais as saídas para a crise porém, estão mais preocupados com aquilo que lhes convém. Vide aumento vergonhoso do fundo partidário.
Por fim, será que nenhuma das crises econômicas anteriores servem de lição para o governo e para o parlamento para que estes se unam no encontro de uma solução?
O Brasil atravessa uma das melhores fases arrecadatórias de impostos da história recente.
A redução da máquina pública é uma realidade.
A grossa corrupção que corroía o tecido das estatais e do próprio governo é palavra morta.
Então, qual ou quem é o vilão dessa onda de aumento de preços dos combustíveis, do gás de cozinha, do feijão, do arroz, do óleo de soja, dos preços das mensalidades dos planos de saúde, das escolas e das academias, do preço dos aluguéis e dos serviços de um modo geral?
Aprendi, que a atividade econômica de um país depende, de um lado, da circulação de moeda pelo consumo, pelo aumento da produção industrial, pelo aumento da massa de empregados e, de outro lado pelo investimento dos governos em obras especialmente de infraestrutura, na redução dos impostos e da máquina pública.
O estado deve diminuir para que a nação cresça de modo que o primeiro seja apenas o fio condutor das políticas econômicas e financeiras e, a última, possa gozar das maravilhas do crescimento sustentado levando à sua gente as vantagens de uma boa saúde pública, de uma educação sólida, de serviços públicos de qualidade com uma infraestrutura que facilite a vida das pessoas.
Inflação alta empobrece uma nação, corrói os negócios e atrapalha o crescimento de um país.
Nesse momento, se quiser vislumbrar reeleição, Bolsonaro e equipe econômica devem frear a alta dos preços, driblar a tentativa de alta de impostos e conter o rítmico de gastos públicos, trinômio esse que  se prosperar jogará uma ducha de água gelada nas pretensões políticas de muita gente.
Povo e país livre é povo e país sem desemprego e sem inflação.
Té logo!

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