Saúde: o caos anunciado

Essa grave e preocupante crise que atinge a saúde pública do Amazonas há quase dois anos, tem nome, profissão e endereço.

O governo do estado precisa responder a muitas questões mas, a principal delas cuja resposta vale um milhão de dólares é, quem disse ou soprou ao governador, que um médico sem a menor experiência administrativa pública ou privada daria certo no comando da saúde?

Para gerir a saúde de um estado ou município, não basta ser médico, não precisa de titulação, não se exige rebuscados conhecimentos técnicos nem tecnólogicos, não há necessidade de currículo extraordinário.

Não, nada disso faz diferença na hora de sentar na cadeira e administrar uma secretaria de saúde.

O que o gestor jamais pode ser é centralizador, arrogante, deus de si mesmo, prepotente, preguiçoso ou inexperiente.

Para gerir a saúde pública antes de tudo é necessário conhecimento da complexa, porém bem sucedida, realidade do SUS.

Para ser um razoável secretário de saúde tem que ter humildade e dividir com subordinados a gestão, confiando a estes a missão de gerenciar as unidades com autonomia o que, por óbvio, não se confunde com independência.

Para administrar a saúde pública tem que montar uma boa e competente equipe técnica, administrativa e financeira com gente tarimbada, experiente, honesta e dedicada.

O secretário tem que ser mais ouvidos e menos boca e parar de achar que tem que aparecer mais do que o mandatário do estado ou daqueles que de fato tocam o dia a dia da gestão.

Temos um secretário de difícil acesso, que não recebe as pessoas, que não sabe e nem quer ouvir sugestões e conselhos, não se dedica plenamente ao mister da gestão, não interage com os demais colegas de governo, trata mal parlamentares, pensa que está tudo bem e finge que não sabe dos problemas da sua pasta.

Temos um secretário que escolheu delegar encargos exclusivos do titular da pasta a outrem e preferiu entregar parte da gestão a gente estranha aos quadros melhor preparados de dentro da própria secretaria.

E quando a política partidária entra pela porta da frente numa secretaria de saúde dominando as indicações para os gestores das mais importantes e complexas unidades, a boa gestão, os bons resultados, as melhores entregas e a autoridade do titular fogem correndo pela porta dos fundos.

Nesses quase dois anos da mesma gestão na saúde, que entrega importante foi feita em termos de expansão da rede de atenção? Que unidade de grande porte foi inaugurada? Houve contratação de servidores concursados? Aumentou o número de procedimentos ambulatoriais, cirúrgicos e assistenciais gerais? O número de leitos eletivos ou em UTI cresceram? Algum pronto socorro ou SPA ou policlínica foi inaugurado? Houve maior entrega de medicamentos dos componentes básicos e especializados? Os programas estaduais de saúde têm alcançado êxito na redução de casos de doenças, agravos ou danos? As fundações de saúde que ofertam serviços especializados de alta e média complexidade foram atendidas nas suas necessidades orçamentárias e financeiras ou respeitou-se ao menos a autonomia administrativa e financeira destas?

A resposta para todos esses questionamentos é um sonoro NÃO!

Pelo contrario! A saúde pública do estado vive um caos instalado. As fundações de saúde estão sucateadas e em falência financeira e de pessoal. Os hospitais e pronto socorros  vivem sua pior fase desde o sufoco provocado pela pandemia do coronavírus. Os programas de saúde voltados para as doenças crônicas, negligenciadas e  imunopreveníveis vivem seus piores momentos.

Essa crise vivenciada na urgência e emergência relativa à dívida com empresas médicas que resolveram fazer uma espécie de operação tartaruga, é apenas a ponta de um gigantesco iceberg pois o barulho é mais embaixo.

Fato absolutamente palpável é sabermos que a saúde pública municipal experimenta há quase quatro anos um período de credibilidade incluindo aí várias premiações nacionais, inaugurações, expansão da rede, programa de imunização digno de elogios, gestores dedicados e profissionalmente capacitados, contratação de servidores concursados e sobretudo uma gestão mais centrada e sem holofotes.

Quanto às responsabilidades também do governo do estado nesse caos, não há a menor sombra de dúvidas pois insiste em resistir mantendo um gestor inábil e avesso ao diálogo.

Tem-se que creditar também ao governo a falta de sensibilidade em não investir o suficiente na saúde, preferindo destinar milhões e milhões em obras de infraestrutura, entregando bens e serviços sem a menor utilidade pública, ou conveniando com a administração municipal ao injetar cifras gigantescas de recursos em asfalto nas ruas capital, numa total inversão de prioridades

Somente em emendas parlamentares federais o estado arrecadou mais de um bilhão de reais destinadas unicamente para construir ou reformar estradas e, investiu a mesma quantidade de grana, em programas sociais eleitoreiros.

Digam aí os meus leitores, quando foi que o secretário de saúde do estado tirou o traseiro da poltrona e foi a Brasília bater nos gabinetes de deputados e senadores para conseguir recursos por meio de emendas para construir um novo pronto socorro ou uma nova policlínica ou uma nova unidade especializada ou para equipar ou reequipar o parque tecnológico hospitalar do estado?

Não o fez porque não é um secretário afável que dialoga, que empreende ou que sabe gerir.

A maioria dos parlamentares estaduais e federais falam mal do secretário ou querem vê-lo pelas costas dado o seu caráter arredio e seletivo. Daí a sua enorme dificuldade em agregar ou convencer parceiros para as causas mais prementes da saúde.

Como ex servidor e ex gestor público da saúde, sei muito bem o que escrevo posto que vivenciei por quase quarenta e cinco anos dos quais quase vinte na gestão de uma fundação, e tenho absoluta tranquilidade para falar, analisar e perceber sobre o que se passa na saúde, seus males, seus culpados e os cruéis desdobramentos por sobre a saúde e a vida do povo do meu estado.

Essa crise não é apenas financeira tendo em vista que o governador arruinou o estado para se reeleger.

Essa crise na saúde é, antes de tudo, falta de gestão e de controle, pois hoje, na saúde do nosso estado, gasta-se muito e gasta-se mal, e não se prioriza e nem  se canaliza o que se alega escasso, para manter a máquina funcionando ao menos nas áreas mais sensíveis.

Como ensinamentos a serem incorporados pelo governador temos que não basta currículo e não vale a pena uma indicação oportunista.

Mais que tudo isso, é preciso que o escolhido para a pasta da saúde seja uma pessoa sensível, dedicada, que domine o conhecimento sobre o SUS e saiba trabalhar em equipe. 

Abra o olhos governador porque pode ser que seus adversários tenham muito mais que apenas vinhos para comemorar sua derrota política em 2026.

Té logo!

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