
Representantes de três municípios amazonenses vieram a Brasília, nesta semana, pedir a ajuda da senadora Sandra Braga (PMDB-AM) para reduzir o isolamento social e geográfico que penaliza cidades do interior do estado. Populações de áreas urbanas e comunidades rurais têm amargado a falta de serviços essenciais, como o pagamento de benefícios previdenciários, e enfrentado dificuldades de acesso por meio de avião.
“Contem comigo”, disse a senadora. “Vocês, vereadores, são nossa base e nosso contato mais próximo com os problemas do povo do nosso estado, pois estão lá, vivendo o dia-a-dia deles”, completou. Os vereadores de São Gabriel da Cachoeira, localizada no extremo noroeste do estado, a mais de 800 quilômetros de Manaus, solicitaram apoio para levar ao município uma agência da Caixa Econômica Federal. A equipe da senadora já está contatando técnicos da Caixa para encaminhar a solução do problema e tirar a população local do isolamento.
Segundo o vereador Jerônimo Ferreira, a presença da unidade bancária facilitaria a vida dos habitantes, a maioria deles indígenas. “Nossa grande solicitação, agora, é que, mesmo uma Caixa Econômica não dando lucro, é preciso ter ao menos uma agência em São Gabriel da Cachoeira para que os nossos indígenas possam ter seus benefícios sociais entregues”, disse Jerônimo.
A comitiva de parlamentares pediu, ainda, à Sandra Braga, que ajude a solucionar a falta de estrutura física e de profissionais de saúde no atendimento aos indígenas. “A saúde indígena em São Gabriel da Cachoeira está um caos. Precisa de uma solução. Não há medicamentos nem atendimento no caso específico do Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs)”, revelou o vereador Trinho Paiva, que faz parte da etnia Baniwa.
Sem voos
Chegar ao interior do Amazonas por meio de avião também está mais difícil, segundo representantes de dois municípios recebidos pela senadora, esta semana, em Brasília. Atalaia do Norte, distante 1.138 quilômetros da capital, tem sofrido, por exemplo, com a mudança repentina dos horários dos voos para a mesorregião sudoeste do estado. “Nós vivemos numa região muito distante. Sabe como é na Amazônia, os temporais caem a todo momento. É uma situação complicada”, disse o ex-prefeito do município, Rosário Galate.
Segundo ele, um voo da companhia aérea Azul chegava diariamente a Tabatinga, uma das principais cidades do sudoeste amazonense, por volta das 15h. Repentinamente, o horário foi alterado para as 19h. A mudança, ressaltou Galate, prejudica os usuários dessa linha aérea que precisam se deslocar de barco até as cidades vizinhas, como Benjamin Constant e Atalaia do Norte. “Temos que descer e andar mais 30 minutos ou 40 minutos de barco, o que é muito perigoso. Estamos em pleno rio Amazonas, um rio caudaloso que, principalmente na época de inverno, tem paus baixando a toda hora e momento”, afirmou Galate.
Ele reclamou, ainda, do elevado preço das passagens aéreas. “O voo Tabatinga – Manaus ou Manaus – Tabatinga custa entre R$ 1.500,00 e R$ 1.600,00. Numa situação de emergência, como problemas de saúde, pessoas de baixo poder aquisitivo enfrentam muitas dificuldades.”
Além das mudanças de horário e dos preços exorbitantes, o interior sofre com o cancelamento de voos. É o caso de Lábrea. Localizada a 702 quilômetros em linha reta de Manaus, a cidade era destino de dois voos semanais da companhia regional MAP. Mas, segundo o ex-prefeito Gean de Barros, uma decisão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) obrigou a empresa a manter apenas um voo para Lábrea. “Temos uma demanda grande de empresários locais e de pacientes que precisam se deslocar para a capital em busca de medicamentos ou tratamentos. Um paciente que precisa de um atendimento urgente terá que se deslocar de barco até Manaus. Serão sete dias de viagem”, reclamou Barros.
O ex-prefeito pediu à senadora que entre em contato com Anac para tentar reverter a situação. “O município de Lábrea conta com mais de 40 mil habitantes. É um município promissor da Calha do Purus. Se isso vir a acontecer, é um prejuízo muito grande para a sociedade”, justificou.
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