Saiba por que o hospital de campanha da Prefeitura de Manaus, fechado ontem, deu tão certo

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Uma história curta, porém inesquecível para muitas famílias, de intensos 71 dias, terminou ontem, depois que a última paciente de Covid-19 teve alta do hospital de campanha Gilberto Novaes, instalado pela Prefeitura de Manaus em apenas quatro dias no Centro Integrado Municipal de Educação (Cime) no bairro Lago Azul, zona Norte da cidade. O que tinha tudo para ser um improviso imprevisível transformou-se em caso de sucesso nacional, com 611 pessoas recuperadas e uma taxa de 81% de êxito.

O hospital foi fruto de parceria entre a Prefeitura, o grupo Samel e a empresa Transire, que fabrica máquinas de pagamento com cartão de crédito no Polo Industrial de Manaus. O prefeito Arthur Neto (PSDB), que não estava obrigado a instalar um hospital de campanha, optou por apostar na empreitada. Autorizou a utilização da escola recém-construída e a implantação ali da tecnologia inovadora da cápsula Vanessa, que evita a ventilação invasiva.

O hospital foi no dia 13 de abril, durante o pico de casos do novo coronavírus em Manaus. De lá para cá, 757 pacientes deram entrada no espaço, registrando 611 altas médicas e 146 óbitos, sendo a unidade hospitalar com menos mortes durante a pandemia. As pessoas que vieram a óbito no Gilberto Novaes, em sua maioria, foram aquelas transferidas em estado crítico de outras unidades e do interior. Alguns não resistiu sequer ao transporte entre a ambulância e o leito, apesar das tentativas de reanimação.

O hospital foi criado para desafogar o sistema estadual de saúde durante a pandemia da Covid-19. Havia enorme pressão sobre os hospitais do Estado. “Agradeço aos parceiros que me ajudaram a montar e dirigir esse espaço, que salvou muitas vidas, tanto da capital quanto do interior. É um sentimento de saudade e de dever cumprido”, disse o prefeito, acrescentando que as Unidades Básicas de Saúde também contribuíram para evitar o pior, com protocolos de diagnóstico e tratamento similares ao do hospital de campanha.

Além dos pacientes da capital, o hospital de campanha também atendeu pessoas oriundas do interior do Estado, como Itacoatiara, Manacapuru, Parintins, Nova Olinda do Norte e Iranduba. Além disso, durante suas atividades, destinou alas exclusivas para pacientes indígenas. Ao todo, 29 de diferentes etnias receberam tratamento no hospital e saíram curados.

“O hospital de campanha cumpriu sua missão no momento mais difícil da pandemia. Uma estrutura de excelência montada de forma rápida e que contou com apoio de diversos parceiros, com doações de empresas privadas e de órgãos públicos, mostrando o trabalho em equipe, que garantiu a vida de centenas de pessoas”, disse o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, que visitou o espaço nesta terça-feira, para fazer uma vistoria geral e entregá-lo de volta à Secretaria Municipal de Educação (Semed). 

Cime

“Salvamos vidas no hospital e vamos continuar salvando vidas nessa escola que funcionará como casa do saber e do entendimento”, disse Arthur. Com o encerramento das atividades, começam agora os trabalhos de readaptação do espaço, que voltará ao projeto inicial de uma escola. O subsecretário de Infraestrutura e Logística da Semed, Darcelo Cavalcante, também esteve no local, juntamente com Malgaldi, acompanhando o início da transição para a unidade que vai receber mais de 1,4 mil alunos da educação infantil e do ensino fundamental.

“Inicialmente, vamos tratar a parte de higienização do hospital, que é etapa fundamental para garantirmos a segurança dos nossos profissionais e alunos que ficarão aqui”, destacou o subsecretário, complementando que a readequação inclui o retorno do projeto inicial da escola, alterado para atender as demandas de um hospital.

A estrutura do Cime vai contar com quadra poliesportiva com cobertura e vestuários, auditório, biblioteca, refeitório, cozinha, sala dos professores, rampas e elevadores com acessibilidade. Vão estar disponíveis, espaços para leitura e música, garantindo conforto e capacidade de aprendizado.

Em alusão ao legado do hospital de campanha, o complexo escolar também ganhará um memorial em homenagem aos profissionais que atuaram no espaço. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros, agentes de limpeza, seguranças e profissionais de alimentação serão lembrados pelo heroísmo durante a pandemia.

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