Retalhos se cetim e a condenação de um inocente

Por Maurício Andrade*

Benito de Paula foi de uma extrema felicidade ao compor este grande samba – Retalhos de Cetim. Lembrei deste grande samba ao ver mais uma vez o carnaval pagar por um culpa que não tem. È a condenação de um inocente. Dizem, os incautos religiosos que a comissão de frente da Gaviões da Fiel de 2020 tripudiou de Jesus e isso causou essa dor imensa. Pura inverdade. A comissão de frente da Gaviões da Fiel reproduziu fidedignamente o tratamento que seria dado a Jesus nos tempos atuais. Tempos de egoísmo exacerbado; tempo de falsos profetas preocupado somente com o dinheiro, exatamente como nos tempos de Jesus. São os novos fariseus.

Dizem também que o carnaval trouxe o COVID-19 para cá. O primeiro caso de COVID-19 no Brasil data do final de março de 2020 e oriundo de um brasileiro que estava de férias na Itália. Pobre ele não era certamente. Agora mais uma vez o carnaval paga o preço.

Não que eu seja a for de continuar tudo aberto, mas pergunto para não me alongar muito quais são os exemplos. E o futebol brasileiro? O público vai continuar lotando os estádios; as pessoas vão continuar se aglomerando no transporte coletivo. Os shoppings vão estar lotados. Mas eles podem, mas o carnaval não pode? Não pode por quê?

Talvez seja o mesmo motivo que fazia com que a polícia protegesse os desfiles das grandes sociedades do início do século XX e perseguisse as manifestações populares da mesma época. Não pode carnaval, não pode nada. Mas o carnaval é uma festa pagã e isso é abominável para cerca de 30% dos eleitores brasileiros. Uma peste que se instalou no Brasil muito pior do que o COVID-19.

Benito dizia assim “Ensaiei meu samba o ano inteiro; Comprei surdo e tamborim; Gastei tudo em fantasia; Era só o que eu queria; E ela jurou desfilar pra mim”. Realmente a nossa Mocidade Independente de Aparecida fez tudo isso. Ensaiou o ano inteiro, comprou surdos e tamborins. Era só o que queríamos já que ela jurou desfilar para todos nós. Nossa Aparecida estaria tão bonita como em todos os carnavais. Certamente era tudo que queríamos ver e participar de um grande desfile; “em retalhos de cetim; Eu dormi o ano inteiro” mas, de que adiantou “ela jurar desfilar pra mim”; “Mas chegou o carnaval de 2021; mas chegou o carnaval de 2022” “E ELA NÃO DESFILOU”. Eu chorei em 2021 e voltei a chorar em 2022 e como disse Benito de Paula “ eu chorei na avenida, eu chorei; Não pensei que mentia a cabrocha Que eu tanto amei”.

A letra de Benito de Paula parece uma premonição. A premonição de condenar um inocente. A história está repleta de injustiças, e a condenação de um inocente é, talvez, o modelo de injustiça por excelência.

As saídas mais elementares para evitar esse infortúnio são a alegação de insuficiência de provas e a dúvida acerca da circunstância fática (criminosa) que conduz o julgamento e a presença de culpa em um inocente. Todavia, dúvida e provas não representam critério objetivo, e estão carregadas de interpretação e preenchimento de lacuna por analogia, ideologia ou convicção – critérios subjetivos ao extremo e já estamos acostumados a ver condenações sem provas.

Assim segue o Brasil cometendo injustiças. Se é para parar que pare tudo.

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