Quem segura o Morais?

Tenho tentado melhor compreender todos os atos e fatos que circunscrevem a decisão individual do Ministro do STF Alexandre de Morais, ao determinar o bloqueio total do aplicativo de mensagens Telegram e, juro de pés juntos, que tendo a melhor das boas vontades, não consigo ver algo de bom no horizonte.

Penso que com mais uma atitude antipática, antipolítica e antijurídica, o nobilíssimo ministro atraiu para si não somente a atenção mas, sobretudo, se isola perante seus pares, fica mal diante da imprensa mais independente e se mete mais uma vez numa queda de braço com a sociedade, esta, já ressabiada com a suprema corte brasileira.
Ao adotar uma decisão polêmica(mais uma no seu vasto leque de decisões isoladas), Morais igualmente, arrasta contra si a ira de renomados juristas que veem nessa decisão um quê de autoritarismo, despreparo para o desempenho do cargo e o que é mais grave, um brutal e lamentável erro judicial.
O Ministro Morais alargou demais o espectro do pedido da Polícia Federal que, em nenhum trecho do texto da petição inicial, solicita o banimento da plataforma de mensagens.
E foi mais além o Morais! Ele simplesmente, na ânsia desmedida de atingir seu alvo preferencial, o Presidente da República, transformou um inquérito, que se limitava a impedir que alguns usuários do Telegram continuassem a usar essa plataforma de modo errático, em prejuízo de milhões de outros usuários, determinou o bloqueio e o acesso a todos indistintamente que agora vêem-se tolhidos na sua liberdade de comunicação.
Alguém tem que segurar esse homem! O parlamento brasileiro tem que reagir a esse verdadeiro gesto de ditadura judicial. A sociedade brasileira não pode mais contemplar passiva e pacificamente essas investidas de um ministro, contra a constituição e contra as liberdades democráticas.
Penso que o ministro Morais extrapolou todas as prerrogativas de um membro da corte suprema e, essa própria corte, há que reagir impondo limites, antes que ela alcance, desafortunadamente, o total descrédito perante a opinião pública.
Nossa corte suprema já teve bons e memoráveis momentos protagonizados por muitos dos seus pares.
Apenas para ilustrar e comparar, penso que falte a Morais a leveza do porte de um ministro como Ayres de Brito. Padece o Morais da falta de qualidade de um ministro como Pulo Brossard. Carece Morais da capacidade intelectual de um ministro do porte do Eros Grau. Morais bem poderia se mirar na nobreza jurídica de um Moreira Alves e bem que o ministro Morais poderia buscar virtudes éticas e morais em Joaquim Barbosa.
Ocorre, que se fizéssemos numa releitura na vida do ministro Morais a fim de tentarmos entender o porquê de muitas das suas atitudes e decisões, penso que tudo está relacionado com o passado do ministro.
Tendo como origem o Ministério Público, Morais não consegue se desvencilhar da pecha do denuncismo muito arraigada nos parquets.
Passado por onde passou como secretário de segurança pública, Morais não perdeu o cacoete persecutório próprio da atividade policial e policialesca que ele comandou.
Portanto, essas são as “credenciais” de um ministro da minha, da sua e da nossa suprema corte a macular a honra do sodalício judicial do país.
Infelizmente ainda teremos que assistir e conviver com muitas e muitas decisões estapafúrdias e despropositadas desse e de alguns outros ministros, sobre os quais nenhum outro poder tem capacidade moral ou independência o suficiente para impor freios.
Hoje e por muito tempo ainda, nosso STF reinará absoluto sobre todos os poderes, sobre as instituições e sobre a sociedade atuando como o poder que manda e desmanda, lamentavelmente.
Té logo!

Qual Sua Opinião? Comente: