Quem quer ser gestor público?

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São quase quarenta e três anos que atuo como servidor público da saúde, mais da metade dos quais, ocupando cargos de provimento em comissão ora por chamamento político ora por indicação em lista tríplice.

Estive frente a frente com inúmeros governantes e gestores superiores em tratativas de interesse das instituições ou unidades de saúde as quais dirigi.
Em meio a mandatários serenos, afáveis, acessíveis e decididos tratei também com alguns de personalidade explosiva, cartesianos, arrogantes e autossuficientes.
Com todos, lidei de forma altiva e determinada sobre assuntos de interesse das instituições as quais eu gerenciava porquanto, o que estava em jogo, sempre foram demandas nobres das áreas administrativas, orçamentárias e financeiras maioria das quais atendidas.
A vida de um gestor público não é fácil porém, ser gestor na saúde torna as coisas infinitamente mais difíceis.
As necessidades são quase infinitas ante recursos definidos e sem muita margem para negociação.
Ocorre, que as demandas da saúde tornam-se muito mais difíceis e complicadas, quando você se depara com determinadas figuras do parlamento.
Muitas destas, por desconhecerem a dinâmica ou até mesmo não terem tido a formação ou ainda mais gravemente desprovidos de sensibilidade, mais atrapalham do que ajudam tornando a missão gerencial muito mais difícil ainda.
É lógico que nesse meio você encontra gente séria, preparada e disposta a ajudar, ouvindo as demandas e propondo soluções para tornar mais leve e resolutiva a gestão da saúde.
Já tive que negar pedidos absurdos, já travei muitas incursões indevidas, já recusei propostas imorais, tudo para sustentar minhas convicções pessoais, profissionais e de gestor na defesa unicamente dos interesses públicos e institucionais mais nobres. E isso muitas vezes custa caro!
Nessa jornada de gestor, aprendi às vezes de modo amargo, o que é fazer o correto e o corretamente, ensinamento esse que passo todos os dias para quem atua comigo na missão de gerir a coisa pública.
É da minha natureza humana, de servidor e de gestor público, lutar todos os dias para que as coisas andem do modo mais adequado possível dentro dos limites da lei e dos recursos humanos e financeiros disponíveis. É isso tem um preço!
Ser gestor público da saúde é matar um leão por dia em meio às dificuldades próprias do dia a dia e, muitas vezes também, aquelas impostas por outros agentes.
Ser gestor público da saúde, é um sacerdócio e, se assim não o fosse, tornaria as situações muito mais complicadas.
Em meio às incompreensões, vaidades, caprichos e despreparos de outros agentes, cabe ao gestor público da saúde assumir-se humilde sem ser subserviente, determinando sem ser arrogante e firme sem ser irredutível, posto que, acima dos interesses individuais, há aqueles de natureza institucionais mais importantes e fundametais para os quais há que haver muito diálogo e jogo de cintura.
Não basta apenas querer ser gestor público da saúde; é preciso antes de tudo ter a convicção e o discernimento de que você estará disposto ao sacrifico em meio a avanços e recuos sem deixar que, diante de determinadas agruras, você se deixe abater pelo desânimo.
Té logo!

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