Puxadinhos e puxões de orelhas 

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Tristemente ainda persiste em alguns mandatários e gestores a reprovável capacidade de achar que são donos dos cofres públicos.

Alguns destes, agem como se acima dos seus interesses pessoais e eleitoreiros, não existissem leis, colegiados e organismos de controle, dispostos a colocar um freio em suas atitudes pra lá de inconsequentes.
Sem falar, que em meio a tantos projetos e sonhos da população, há aqueles que são de extrema necessidade e de ordem prioritária, para os quais, a mediocridade desses gestores, impede que eles as percebam.
Entre tantos arroubos gerenciais do atual presidente da Câmara Municipal de Manaus, surgiu aquele que considero o mais desastroso de todos que é o de torrar 32 milhões de grana pública na construção de um puxadinho para abrigar, no dizer dele, “novos e modernos gabinetes para futuros vereadores de Manaus”.
Quanto despautério! Quanta sandice! Quanta insensibilidade!
Se de fato, todo esse recurso existe e está disponível para ser gasto, seguem aqui algumas humildes sugestões para a destinação mais nobre dessa grana:
-Com 32 milhões o poder público municipal poderá construir ao menos 10 novas creches a fim de atender um sem número de mães trabalhadoras e crianças carentes;
-Com 32 milhões, poder-se-ia levar saneamento básico a alguma comunidade vulnerável da periferia da capital como enorme ganho para a saúde comunitária;
-Com 32 milhões, a prefeitura de Manaus poderia construir ao menos 05 novas escolas para o ensino fundamental e deixaria de gastar milhões no pagamento de aluguéis desses espaços;
-Com metade desse valor, a Fundação Alfredo da Matta, referência local e nacional em Dermatologia Básica e Avançada, tornaria realidade a construção do seu necessário e sonhado Hospital Dia com 25 leitos e, ainda, promoveria a revitalização da sua sede construída há 27 anos que carece de ampliação, adequação, modernização e reparos para a melhoria significativa da assistência à saúde na sua área de competência.
Sinceramente que não sei o que se passa na cabeça oca de um vereador que comanda um poder municipal para, em pleno vigor de uma pandemia que estanca as atividades empacando o crescimento econômico e financeiro da cidade, causa desempregos e toda sorte de dificuldades para o país, para os estados e para os  municípios, alimentar a ideia de jerico de gastar dinheiro dos impostos e taxas dos contribuintes municipais em obras faraônicas e desnecessárias.
E ainda há edis da nossa Câmara Municipal, que apoiam e defendem essa aberração.
Como diria minha saudosa mãe D Lélia, desgraça pouca é tiquinho!
Em boa hora, por provocação de dois vereadores, a justiça do estado ainda que liminarmente, decidiu pela paralisação desse projeto pondo um freio nessa verdadeira irresponsabilidade com a coisa pública.
Parece, que o Presidente da Câmara Municipal de Manaus, já esqueceu aquele lamentável e horroroso episódio tão parecido com este que ele mesmo protagoniza, e que envolveu anos atrás a construção do edifício garagem da Assembleia Legislativa do nosso estado.
Sobre aquelas obras, houve denúncias de gestão temerária e mau uso do dinheiro público com desvios de finalidades e gastos inapropriados, caso que ainda hoje tramita nos tribunais, em meio a indícios de desvios éticos, morais e grossa corrupção.
Quer me parecer, que muitos mandatários das mais diversas matizes representativas, padecem de miopia política, de insensibilidade gerencial e carecem de memória intelectual.
Parece, que nada do que aconteceu no passado recente do nosso país em meio a operações policiais, processos judiciais, prisões e cassações de mandatos, nada disso foi capaz de produzir lições ou atuar de forma pedagógica sobre o comportamento nada recomendável dessa gente.
Oxalá a justiça sustente definitivamente a decisão liminar concedida, para que os 32 milhões que iriam para o ralo, possam ter uma destinação mais nobre que atenda tão somente aos interesses coletivos.
Té logo!
*Presidente da Fundação Hospital Alfredo da Matta

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