Membros dos povos Nadëb e Kanamary oficializam, no próximo 7 de julho, o lançamento de dois Planos de Gestão Territorial e Ambiental Indígena (PGTAs): o da Terra Indígena Paraná do Boá-Boá e o da Terra Indígen Uneiuxi. A cerimônia será realizada a partir das 14h, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA), reunindo lideranças indígenas, representantes do poder público e de organizações parceiras que acompanharam a construção dos documentos. A ocasião também marca um momento histórico para o povo Nadëb: pela primeira vez, uma comitiva com representantes de todas as 12 aldeias das duas Terras Indígenas viajará a Manaus para participar do lançamento do PGTA.
Ao todo, cerca de 30 indígenas dos povos Nadëb e Kanamary estarão presentes na cerimônia. A cerimônia contará com a participação da APIAM, COIAB, FOIRN, CAIMBRN, ACIMRN e UNIPI-MSA, com apoio da ACT-Brasil e de instituições parceiras que contribuíram para a elaboração dos planos e para o fortalecimento da gestão territorial indígena na região.
Sobre o PGTA
Construídos de forma coletiva, os PGTAs orientam estratégias de proteção territorial, fortalecimento cultural, governança e uso sustentável dos recursos naturais, consolidando acordos comunitários e prioridades definidas pelos próprios povos. A região do Japurá, onde estão localizadas as duas Terras Indígenas, enfrenta desafios recorrentes devido à fragilidade da fiscalização na região, o que expõe o território a ameaças como garimpo, narcotráfico, pesca predatória, extração ilegal, pirataria e outras pressões externas. Reconhecido pela Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) como instrumento de gestão territorial indígena, o PGTA também dialoga com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ao fortalecer o direito dos povos indígenas de definir suas próprias prioridades de desenvolvimento e gestão de seus territórios.
Reunindo saberes tradicionais, práticas de manejo e prioridades definidas pelos próprios povos, os documentos sistematizam a relação ancestral com a terra, o cuidado com as águas e o solo, as práticas culturais e os protocolos internos de proteção. Além de fortalecer a governança territorial, os PGTAs contribuem diretamente para o enfrentamento da crise climática. Ao orientar estratégias de proteção das florestas, dos rios e da biodiversidade, evidenciam que a proteção da vida e dos territórios dos povos indígenas é indissociável da conservação da Amazônia e da manutenção do equilíbrio climático.
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