A pré-campanha para o Governo do Estado pegou fogo nos últimos dias, depois que o governador Wilson Lima se filiou ao União Brasil e começou a se movimentar para montar um cenário favorável à sua candidatura de reeleição. Até mesmo o senador Plínio Valério (PSDB), que parecia longe da disputa, decidiu comprar uma briga com seu correligionário, o ex-prefeito Arthur Virgílio Neto, para ser candidato a governador pelos tucanos. O prefeito David Almeida (Avante) também voltou a sinalizar a possibilidade de renunciar para se candidatar ao Governo. E o ex-governador Amazonino Mendes (sem partido) segue sua cruzada em busca de uma legenda.
Vários movimentos aconteceram assim que abriu a janela partidária – período em que os políticos com mandato que pretendem disputar a eleição deste ano podem mudar de partido, que coincide com o prazo final de filiação para todos os demais. O próprio Wilson, que havia previsto uma definição para o dia 15, antecipou-se e anunciou a filiação ao União Brasil, partido que estava apalavrado com Amazonino, mas mudou de ideia nos últimos 40 dias, depois de uma conversa do governador com Antonio Rueda, dirigente antigo do PSL e hoje prócere da nova legenda, surgida a partir de fusão com o DEM.
O deputado estadual Ricardo Nicolau também garantiu abrigo à sua candidatura ao Governo no Solidariedade e não descarta fazer parte de outro grupo.
O único que permanece em sua posição, aguardando a definição dos demais, é o senador Eduardo Braga (MDB). Cortejado por outros pré-candidatos ao Governo, ele tem a situação mais tranquila do ponto de vista partidário. Não há ameaças de lhe tomar o partido e sua condição de parlamentar por mais quatro anos lhe dá a garantia de ter apoio em Brasília. Pode manter a candidatura ao Governo ou atrair Amazonino para a legenda.
Plínio Valério vinha dizendo que só seria candidato se conseguisse costurar uma aliança forte. Nos últimos dois dias, entretanto, apresentou-se como pré-candidato a governador, com muita ênfase. E comprou briga com Arthur, que quer Amazonino no PSDB como candidato ao Governo. O senador garante que tem apoio da Direção Nacional, mas o ex-prefeito trabalha firme para impedir a candidatura. E acusa o correligionário de manter ligações estreitas com o governador Wilson Lima.
Ainda fora de todo esse barulho está o PT de Lula. O partido ainda não fala em ter candidato próprio a governador e orbita em torno de Wilson Lima graças à aproximação do deputado Sinésio Campos, seu presidente regional, com ele. Mas a base, desconfiada da relação do governador com o presidente Jair Bolsonaro (PL), pode forçar uma mudança de rumos.
Observando a cena com muita atenção, o prefeito David Almeida tem a carta final na manga. Pode decidir até ser candidato a governador, uma possibilidade ainda remota, ou aguardar até junho para anunciar seu apoio.
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