A Marinha do Brasil concluiu o inquérito que investigou as circunstâncias do naufrágio da lancha da empresa Lima de Abreu Navegações, ocorrido no dia 13 de fevereiro deste ano nas proximidades do Encontro das Águas, em Manaus. Caberá agora ao Tribunal Marítimo decidir se houve infrações às normas de segurança da navegação. O piloto da embarcação, Pedro José da Silva Gama, já havia se tornado réu por homicídio qualificado após a Justiça do Amazonas aceitar, em 24 de abril, a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM).
A embarcação, operada pela empresa Lima de Abreu Navegações, saiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte quando afundou. O acidente deixou três pessoas mortas, cinco desaparecidos e 71 sobreviventes foram resgatados.
No último dia 8 de julho o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) encerrou oficialmente as buscas pelos cinco desaparecidos, após quase cinco meses de operações.
Durante esse período, as equipes utilizaram drones, embarcações e equipamentos de sonar para realizar varreduras no leito do rio, sempre com acompanhamento dos familiares das vítimas. Apesar do encerramento das buscas, o CBMAM informou que permanece de sobreaviso e poderá retomar as operações caso surjam novos indícios.
Familiares de três desaparecidos já solicitaram o boletim de ocorrência registrado no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), documento necessário para requerer à Justiça a declaração de morte presumida.
O naufrágio
A embarcação partiu de Manaus por volta das 12h30, quando naufragou na região do Encontro das Águas. Vídeos gravados por passageiros registraram momentos de desespero, com adultos e crianças à deriva utilizando coletes salva-vidas e botes improvisados até a chegada do socorro.
Parte dos ocupantes foi resgatada por embarcações que navegavam pela região antes mesmo da mobilização da força-tarefa de salvamento.
Um dos momentos de maior repercussão foi o resgate de um bebê de apenas cinco dias de vida, que foi colocado pelos familiares dentro de um cooler para protegê-lo da água. O recipiente ficou à deriva até ser localizado pelas equipes de resgate. A mãe da criança também foi socorrida e ambos receberam atendimento médico.
Testemunhas afirmaram que alertaram o piloto sobre o forte banzeiro na região e pediram que a velocidade da embarcação fosse reduzida. As circunstâncias do acidente ainda são apuradas pelas autoridades.
Vítimas
O naufrágio provocou a morte de Samila de Souza, de 3 anos; Lara Bianca, de 22 anos; e Fernando Grandêz, de 39 anos.
Samila chegou a ser levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas não resistiu. A menina retornava para Urucurituba após sua primeira viagem a Manaus.
Lara Bianca era natural de Nova Olinda do Norte e cursava Odontologia em Manaus, estando próxima da conclusão da graduação.
Já Fernando Grandêz era cantor gospel e bastante conhecido por participar de eventos religiosos na capital amazonense. O corpo dele foi encontrado três dias após o acidente.
Piloto responde por homicídio qualificado
Na decisão, o juiz Fábio Lopes Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, entendeu haver provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.
Pedro Gama apresentou-se à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) no dia 16 de março, após permanecer cerca de um mês foragido.
No dia do naufrágio, ele chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado mediante pagamento de fiança. No dia seguinte, a Justiça decretou sua prisão preventiva para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.
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