A audiência pública realizada na manhã de ontem, pelo Ministério Público do Amazonas em Iranduba, terminou em confusão, agressões verbais e brigas entre prefeito Augusto Ferraz e adversários políticos. Promovida pelas 1ª e 2ª Promotorias de Justiça da Comarca de Iranduba, o evento ocorreu no Ginásio Josué Araújo de Almeida e tinha como objetivo debater as demandas da população nas áreas de educação, saúde e meio ambiente.
Os ânimos começaram a se acirrar quando a destinação dos resíduos sólidos do município entrou na pauta e moradores que são contrários ao lixão e defendem a construção de um local ambientalmente correto e seguro.
Também durante a audiência, Ferraz foi cobrado por moradores e pelo vereador Nedy Júnior sobre o tema e em resposta, o prefeito atacou e mencionou o ex-vereador Nedy Vale, pai do parlamentar. “O seu pai [Nedy Vale] foi vereador há 30 anos e nada fez pelo município de Iranduba. O projeto dele foi sair com 15 anos de prisão nas costas”, disse o prefeito.
Após a declaração, Vale foi em direção ao prefeito, iniciando a confusão que somente foi contida por policiais.
Esta não é a primeira vez que uma audiência pública em Iranduba termina em confusão e brigas. Em março de 2022, seus apoiadores também interromperam uma audiência pública do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas com insultos e agressões e no mês passado, durante manifestação na AM-070, profissionais da imprensa também foram hostilizados pelas mesmas pessoas.
Coordenada pelos promotores do município Gerson de Castro Coelho (1º PJ) e Leonardo Abinader Nobre (2º PJ), a audiência pública contou com a participação do subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Administrativos do MPAM, André Virgílio Belota Seffair; da ouvidora-geral Sílvia Abdala Tuma; da coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Especializadas na Proteção e Defesa do Consumidor, dos Direitos Constitucionais do Cidadão e do Patrimônio Público (CAO-PDC), procuradora Delisa Olívia Vieiralves Ferreira; e do coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Especializadas na Proteção e Defesa do Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e da Ordem Urbanística (CAO-MAPH-URB), promotor Carlos Sérgio Edwards de Freitas.
Também estiveram presentes o prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz (União); o presidente da Câmara Municipal, Bruno Lima (Republicanos); o juíz de direito da comarca Saulo Góes Pinto; o secretário de Educação, Altemar Leão; a secretária de Saúde em exercício, Valcicleia Rocha; e o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Lúcio Rodrigues da Costa.
A audiência contou com três painéis, formulados a partir das principais denúncias reportadas à Ouvidoria-Geral. A identificação foi feita via plataforma de business intelligence (BI) do Ministério Público, que detectou que as demandas mais recorrentes se referem às áreas da saúde, educação e, principalmente, do meio ambiente. No painel da educação, destacaram-se queixas sobre problemas no transporte escolar e ausência de Atendimento Educacional Especializado (AEE).
No debate sobre saúde, foram relatados problemas em atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), falta de medicamentos, dificuldades para acionar ambulâncias e problemas de infraestrutura, com reformas de postos paralisados. “Eu sou da Comunidade São José e quero registrar minha indignação sobre a questão da saúde, onde não tem medicamento nas UBSs e nos hospitais demora muito tempo, muitas horas para sermos atendidos; isso quando somos”, relatou o morador Silas Cardoso.
A temática do meio ambiente mobilizou 27 inscrições para debater sobre a questão que mais sensibiliza a sociedade de Iranduba: a presença de um lixão a céu aberto. Foram relatados os impactos na cidade, que afetam principalmente as comunidades do entorno; problemas na gestão dos resíduos sólidos, que geram fortes odores e lixo espalhado nas ruas; falta de sistema de tratamento de esgoto em diversas áreas da cidade; e ausência de incentivo à educação ambiental.
O temor da população pela instalação de um aterro sanitário no município, bem como os impactos de saúde, qualidade de vida e prejuízos turísticos também foram assuntos recorrentes durante a audiência. “Eu moro na comunidade do KM19, onde querem instalar o aterro e quero deixar bem claro que o meio ambiente vai ser impactado, todos do município serão afetados, não só a gente que vive na comunidade. Eu confio na prefeitura, na Justiça e no Ministério Público para impedir que isso aconteça, nós não queremos lixão em Iranduba”, afirmou o morador Rafael Bernardo.
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