Polícia pede ajuda à população para encontrar quinto envolvido na seita criada por família de ex-sinhazinha, que prometia salvação mediante uso de ketamina

A Polícia Civil segue as diligências a fim de localizar e prender Marlisson Vasconcelos Dantas, que era funcionário do salão Belle Femme, aonde funcionava uma seita que induzia as pessoas a usar drogas como a ketamina para transcender a outra dimensão e alcançar um plano superior e a salvação. Quatro pessoas incluindo mãe e irmão da ex-sinhazinha do Garantido, Djidja Cardoso, e outros dois funcionários da empresa estão presos.

“Quem tiver informações sobre o paradeiro de Marlisson, deve entrar em contato pelos números (92) 98116-9099, do 1º DIP, ou pelo 181, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM)”, informou o delegado Cícero Túlio, do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Os presos foram identificados como Ademar Farias Cardoso Neto, 29, e sua mãe Cleusimar Cardoso Rodrigues, 53, que são os fundadores da seita intitulada “Pai, Mãe, Vida”, além de serem proprietários de uma rede de salões de beleza em Manaus.

Também foram presas Verônica da Costa Seixas, 30, e Claudiele Santos da Silva, 33, funcionárias do estabelecimento. Elas eram responsáveis por induzir outros colaboradores e pessoas próximas à família a se associarem à seita, onde drogas de uso veterinário eram utilizadas.

“Ao longo das investigações, tomamos conhecimento de que Ademar também foi responsável pelo aborto de uma ex-companheira sua, que era obrigada a usar a droga e sofria abuso sexual quando estava fora de si. A partir desse ponto, as diligências se intensificaram e identificamos uma clínica veterinária que fornecia medicamentos altamente perigosos para o grupo da seita”, disse Cícero Túlio.

Durante buscas realizadas na tarde de quinta-feira (30/05) e na manhã desta sexta-feira (31/05), foram apreendidas centenas de seringas, produtos destinados a acesso venoso, agulhas e ketamina foram apreendidos, além de aparelhos celulares, documentos e computadores na residência da família e no salão de beleza e em uma clínica veterinária. 

As investigações sobre a morte de Dilemar Cardoso Carlos da Silva, 32 anos, conhecida como “Djidja Cardoso”, estão sendo conduzidas pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Ademar e Cleusimar são, respectivamente, irmão e mãe da vítima. A suspeita é que Djidja possa ter sofrido uma overdose devido ao uso indiscriminado da ketamina durante um dos rituais da seita religiosa liderada pela família.

“Eles induziam os seguidores a acreditar que, com a utilização compulsória da ketamina iriam ”, explicou o delegado.

Segundo o delegado Danniel Antony, adjunto da DEHS, a morte dela está envolta na possibilidade do uso de medicamentos fármacos narcolépticos e psicotrópicos, havendo também a possibilidade de ter ocorrido um excesso da droga que possa tê-la levado à morte em relação à seita da família. 

“Estamos investigando a situação, mas a questão da autoria de alguém que possa tê-la medicado ainda está sob investigação na DEHS. Estamos em uma fase preliminar em relação à coleta de depoimentos e informações, incluindo áudios e mídias que circulam em redes sociais e aplicativos de mensagens, para verificar sua veracidade”, detalhou Antony.

Procedimentos

O grupo responderá por tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas, colocação em perigo da saúde ou da vida de outrem, falsificação, corrupção, adulteração de produtos destinados a fins terapêuticos e medicinais, aborto provocado sem consentimento da gestante, estupro de vulnerável, charlatanismo, curandeirismo, sequestro, cárcere privado e constrangimento ilegal. Eles serão submetidos a audiência de custódia e permanecerão à disposição da Justiça.

FOTO: Erlon Rodrigues

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