Polícia no TCE

De fato o Tribunal de Contas do nosso estado é um caso de polícia.

Já disse em artigo escrito anos atrás que aquilo ali é um verdadeiro tribunal de faz de contas.

Digo mais, o TCE foi à polícia quando o necessário e correto seria que a polícia invadisse o TCE.

É como diz a música:”Polícia para quem precisa de polícia.”

Vivêssemos num estado ou num país sério, quem deveria ser processada era a denunciante pelos fatos de não levar provas, não esgotar antes os meios internos da corte para resolver essa pouca vergonha e, mais grave ainda, ocupar espaço numa delegacia e nos meios de comunicação sem motivo que valesse a pena. Vôte!

Mais escandalosa ainda, foi a presença de outros conselheiros ao lado da denunciante tais quais cães de guarda, que pareciam estar ali menos para dar veracidade ao fato e mais para aparecerem e tirarem proveito dessa briga intestinal do TCE. 

Não estou aqui a discutir se houve ou não agressão de parte a parte ou se o conselheiro proferiu ou não as tais supostas palavras ofensivas à conselheira. Digo apenas que nas casas do baixo meretrício impõe-se mais respeito uns aos outros.

Necessário que se esclareça também, que o conselheiro, suposto agressor, não é nenhum santo e tampouco alcançou um posto na corte por mérito. Longe disso!

Todos sabemos como o rapaz chegou lá e sabemos mais ainda que jabuti não sobe em árvore.

A sociedade tem noção de que ele é filho de quem é e sabe das relações de amizade e dos segredos que os une a quem o indicou.

Aquela casa de controle de contas tá cheia de filhotes de papai os quais, não dando certo na vida profissional, encontraram lá um emprego vitalício com um baita salário e poder demais nas mãos.

Se alguém me perguntaste o que eu penso sobre os tribunais de contas nos seus diversos níveis de existência federal, estadual e municipal, eu diria sem titubear: Se fossem extintos, não fariam a menor falta! E explico.

São caros demais para o contribuinte, são perdulários, são um antro de mandonismo e de cabide de empregos, não são eficientes e menos eficazes ainda, são o espectro mais eloquente do vergonhoso processo de patrimonialismo que ainda vigora no país, entre outras abjetas situações.

Falo do alto da minha obrigação de cidadão e mais ainda, da condição de ex gestor público que tem mãos limpas e honradas, que teve contas rejeitadas e que recebeu severas multas mas, de todas as sanções recorreu e reverteu as análises equivocavas e os julgamentos mais injustos ainda dentro daquela corte de contas.

Aquilo ali deixou de ser uma instituição necessária ao ordenamento jurídico de controle, uma exigência constitucional, para se transformar numa casa de troca de favores, de balcão de negócios e de sucessão hereditária.

Não Brasil afora pululam registros de mãe, pai, esposas, filhos e até amantes de poderosos que foram guindadas à condição de conselheiros de contas e nem ficam vermelhas de vergonha por esse motivo.

É como se a extinção das antigas capitanias ainda não tivesse chegado ao conhecimento dos governantes e de tantos quantos estimulam e alimentam a existência de um tribunal que tem dono e que fazem da instituição um feudo familiar ou um negócio entre amigos.

Se me perguntassem também se há algo de positivo naquele amontoado de gente, antro de sinecuras, de cargos e de negócios escusos, responderia que a única coisa que ainda se salva ali é o Ministério Público de Contas. Por enquanto!

Esse episódio é mais que lamentável(pra não usar outra expressão),pois a futura presidente da corte de contas vai a uma delegacia acompanhada de outros conselheiros e faz uma denúncia.

Ocorre, que a conselheira fala mais pela sua condição de mulher vitimizada do que de membro da corte e expõe visceralmente as entranhas pútridas desse organismo cujas funções não mais se justificam.

Me sinto envergonhado e afirmo que o TCE não me representa enquanto cidadão e muito menos ainda como ex gestor público.

As razões da existência desse órgão de controle, de há muito deixou de existir para a proteção do patrimônio e do dinheiro público.

O TCE passou a funcionar como uma verdadeira agência política que está mais interessada em dar emprego a parlamentares derrotados, a filhotes mal sucedidos na vida, a gestores encalacrados em processos e para atender a amigos dos demais poderes.

Quando a conselheira denunciante diz na polícia que está há 48 anos na corte de contas, a coitada pensa que isso é uma virtude. Muito pelo contrário!

Isso só depõe contra todos e todas que fazem de um assento no TCE um eterno trampolim pessoal para proteção de interesse de grupos familiares e de um espaço para proteger os seus, eleger parentes, aprovar contas de prefeitos e gestores corruptos e ladrões do dinheiro público ou perseguir desafetos.

Nada melhor do que uma briga de egos e de cargos no TCE para desnudar seus males e seus podres e deixar mais que patente a necessidade de se repensar, dentro do poder legislativo, a real necessidade da sua existência.

Só não sei, se os digníssimos parlamentares têm coragem suficiente para mexer com isso, dado que também nutrem interesses nada republicanos para que aquilo ali continue a esculhambação que está.

Té logo!

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