PF convence Justiça a devolver Nejmi Aziz à prisão, mas guerra jurídica pode soltá-la de novo

Uma intensa batalha judicial vem sendo travada nos bastidores da Justiça Federal entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, de um lado, e os advogados da ex-primeira dama Nejmi Aziz, de outro. Capitaneada por José Alberto Simonetti, renomado advogado amazonense, e pelo ex-policial federal Washington Magalhães, hoje atuando como jurista, a defesa dela tem sido ágil e rápida e teria conseguido, hoje, mais um habbeas corpus para soltá-la. A informação não foi confirmada ainda oficialmente.

Para a PF e o MPF, manter Nejmi Aziz presa, mesmo que temporariamente – ela cumpriu apenas dois dos cinco dias da prisão decretada no último dia 19 – seria essencial para a apuração de novos fatos relacionados à Operação Vertex, desdobramento da “Maus Caminhos”. Ela é acusada de receber dinheiro em espécie e outras vantagens do esquema criminoso que desviou centenas de milhões de reais da Saúde Pública do Amazonas, na época em que era primeira-dama do Estado e presidente do Fundo de Promoção Social.

Causou estranheza aos policiais federais e procuradores o fato de não terem encontrado joias de grande valor e objetos que Nejmi Aziz costumava exibir nas redes sociais, quando da busca e apreensão nos imóveis que ela ocupava. Pode ter ocorrido vazamento da operação. Isso também está sendo apurado.

Na época em que o senador Omar Aziz (PSD), esposo dela, era governador, comentava-se abertamente sobre a influência exagerada de Nejmi Aziz na administração. De personalidade forte, ela exigia ocupar lugar de destaque nas solenidades, muitas vezes até preterindo autoridades, e seu gabinete no FPS era até mais movimentado em determinados dias que o do próprio chefe do Executivo. Por ali transitavam empresários, secretários de todas as pastas e pessoas em busca de solução para os mais variados problemas.

A ex-primeira dama construiu uma imagem de “mãe dos pobres”. Carismática, exigia também equipe exclusiva de comunicação e mantinha perfis movimentados nas redes sociais, além de estreitos laços com vários comunicadores. Também era implacável com quem considerava adversário.

Esta movimentação sempre chamou atenção das autoridades de fiscalização, mas foi a declaração de bens dela à Justiça Eleitoral, às vésperas da eleição de 2018, quando disputou o mandato de deputada estadual, que acendeu a luz amarela. El afirmou ter um patrimônio avaliado em mais de R$ 30 milhões, sem atividade profissional conhecida.

Antes do casamento com Omar Aziz, com quem tem uma filha, Nejmi Aziz foi casa com o empresário Porfírio Lemos, sócio de uma das maiores construtoras locais, a Engeco, com quem teve os primeiros dois filhos.

Mesmo se for novamente solta, ela está definitivamente no alvo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Hoje, passou por exame de delito no Instituto Médico Legal e foi encaminhada ao Centro de Detenção Provisória Feminino.

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