Pesquisador alerta para volta de surtos de sarampo, gripe, febre amarela e poliomelite por causa da baixa procura por vacinas

O virologista e pesquisador da Fiocruz, Felipe Gomes Naveca, fez a defesa do aumento da cobertura vacinal no Brasil, sob o risco de estarmos permitindo o retorno da ameaça de surtos e epidemias de doenças causadas por patógenos imunopreveníveis, como sarampo, influenza, febre amarela, poliomielite, entre outras. O alerta foi feito durante encontro remoto com jornalistas promovido nesta terça-feira, 9/06, pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS) – entidade sem fins lucrativos criada com o objetivo de colaborar para o desenvolvimento de um sistema de vigilância epidemiológica e ajudar o País a se preparar para o enfrentamento de futuros surtos. O encontro teve como tema “Monitoramento global de vírus e as arboviroses no Brasil (dengue, Zika, Chikungunya)” e reuniu diversos especialistas da área da Saúde.

Ao ser questionado sobre o impacto da iniciativa do Ministério da Saúde de suspensão das vacinas contra dengue, Naveca destacou a eficácia da medida como forma de garantir a transparência e a segurança da população até que sejam confirmadas as causas das reações e óbitos suspeitos de terem sido decorrentes da vacina contra a dengue do Instituto Butantã. “Foram 42 casos de eventos supostamente adversos à vacinação num cenário de 500 mil pessoas vacinadas, sendo três casos graves com dois óbitos. Ficamos tristes com o ocorrido, mas não podemos deixar, de modo algum, que isso afete a credibilidade e a confiança da população, nem deixar que percamos pessoas por conta de doenças imunopreveníveis. Isso é muito grave”, salientou.

O virologista ressaltou a importância das redes de monitoramento global e nacional dos vírus de importância na missão de evitar surtos, epidemias e pandemias. “Temos hoje várias redes em atuação no Mundo e, em especial no Brasil, com um papel fundamental no monitoramento do cenário epidemiológico atual, permitindo verificar como os vírus evoluem, por meio de mutações, bem como a descoberta de novos patógenos, determinante para se desvendar o futuro das epidemias de arbovírus em um mundo mais quente e urbanizado”, afirmou Naveca, citando como exemplo a Rede de Laboratórios de Referência para Vírus Respiratórios, responsável pela identificação de subtipos do vírus Influenza, por meio da análises de amostras de várias partes do Mundo.

Outra importante rede de monitoramento citada pelo pesquisador é a de Laboratórios de Diagnóstico das Arboviroses, criada em 2008 para fortalecer a capacidade de diagnósticos, estabelecer protocolos, definir agendas regionais de pesquisa para determinadas arboviroses, gestão de qualidade e capacitação de profissionais. Ele destaca também a Rede Genômica Fiocruz, criada durante a pandemia de Covid-19, de grande relevância na identificação genômica das diferentes linhagens do SARS-CoV-2, além de fornecer informações importantes no site da instituição. “Vigilância não é só diagnóstico. Hoje, integra informações laboratoriais e genômicas. É uma ferramenta que adiciona novas camadas de informações para se entender melhor o que está acontecendo”, comentou.

Por fim, Naveca mencionou o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, com abas específicas para cada tipo de vírus. “No Painel, é possível observar os números da dengue, casos prováveis por semana epidemiológica para comparação de dados, além de observar a ocorrência de picos de casos por região do País e o número de óbitos. Além de Dengue, o painel também traz informações sobre os vírus do Oropouche,  Zika, Febre Amarela e Chikungunya “, detalhou.

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