Perigo: primo de “Zé Roberto”, preso em comunidade isolada, está de volta ao Compaj, onde comandou massacre

Numa comunidade isolada, chamada Vila Itaquera, na fronteira do Amazonas com Roraima, policiais dos dois Estados, em operação combinada, localizaram na última sexta-feira, 4, José de Arimateia Façanha do Nascimento, 33, o “Ari”. Primo do traficante condenado José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, ele estava em liberdade, apesar de responder por 14 crimes, apresentar-se como “o número dois” da facção criminosa Família do Norte e aparecer nos vídeos do massacre do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em janeiro do ano passado, portando uma arma e trocando tiros com policiais militares.

A prisão de “Ari” só foi possível porque foram expedidos dois mandatos de prisão contra ele. Um deles por homicídio qualificado, assinado em 1º de novembro de 2017 pelo juiz Anésio Rocha Pinheiro, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Outro, ainda mais antigo, por roubo majorado, assinado no dia 20 de março de 2017 pelo juiz Luís Márcio Nascimento Albuquerque, da Vara de Execuções Penais (VEP). 

A ação policial que resultou na prisão de José de Arimateia foi coordenada pelas equipes do DRCO e ocorreu em conjunto com policiais da Seaop, policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e agentes da Divisão de Inteligência e Captura (Dicap), de Roraima. Foi uma operação bem mais demorada, mais complexa, mas para o ponto de vista operacional foi mais segura. Os policiais passaram três dias seguindo pelo mato, por via fluvial e terrestre, chegamos até chegar à comunidade onde “Ari” estava escondido. Ele ainda tentou fugir, mas acabou preso. 

O delegado Guilherme Torres, do Departamento de Repressão ao Crime Organizado, revelou que José de Arimateia é apontado como um dos líderes de rebelião que aconteceu no dia 1º de janeiro de 2017, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), quando 56 pessoas foram mortas. 

“Ele é citado em depoimentos como um dos líderes da rebelião e aparece em imagens das câmeras de segurança no pavilhão principal, segurando uma arma de fogo, na frente de outros detentos. Temos informações de que, no momento em que o pavilhão três foi tomado pelos detentos, ele trocou tiros com policiais militares. Também teria decapitado um dos mortos da rebelião”, disse Torres. 

Torres explicou que durante as investigações realizadas pelo DRCO foi constatado que José de Arimateia é primo do narcotraficante José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”. “Ari” também é membro da facção criminosa comandada pelo narcotraficante, que está cumprindo pena na primeira prisão federal de segurança máxima inaugurada pela União, a Penitenciária de Catanduvas, no Paraná. 

“O infrator se intitula o número dois da organização criminosa, depois do primo dele. Na verdade, ele não é o segundo na FDN e sim na estrutura organizacional pessoal do ‘Zé Roberto’. Era gerente do narcotraficante”, relatou o diretor do DRCO. 

Para piorar um pouco a situação, José de Arimateia está retornando ao Compaj, onde irá permanecer à disposição da Justiça. Ali pode se tornar de novo muito perigoso para a estabilidade do sistema.

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