Permaneci longe da gestão pública por cerca de dezenove anos até retornar à presidência de uma importante fundação de saúde no ano de 2019.
Nesse intervalo de tempo, pensando que poderia assumir mais uma vez a qualquer momento essa função relevante, numa que quase que obsessiva vontade de contribuir com o controle da Hanseníase no nosso estado, desenhei um plano de intervenção com essa finalidade.
Nasceu então o Projeto APELI-Ação Para Eliminação da Hanseníase a ser tocado por essa fundação, que coordenava no Amazonas, o Programa de Controle dessa endemia.
Por cerca de quase dois anos invadimos, no bom sentido, com uma capacitada equipe multiprofissional, cerca de catorze municípios notadamente onde a Hanseníase apresentava graves sinais de alta endemicidade e onde as autoridades políticas e sanitárias mais negligenciavam o enfrentamento à doença.
Nesses municípios muitos dos quais o número de doentes em registro ativo variava entre 3 a 5 casos, as equipes enviadas diagnosticaram até cinco vezes mais casos novos de Hanseníase.
Uma verdadeira tragédia epidemiológica que evidenciava a existência de uma endemia oculta nessas localidades.
Ao todo foram detectados cento e cinquenta e quatro casos novos nesses catorze municípios.
Porém, o que mais chamou a atenção, é que do total dos casos novos descobertos, 19,5%(30) foram em populações indígenas, 22,1%(34) em crianças menores de 15 anos, 57,8(89) em mulheres e, 77,9%(120), eram pessoas que albergavam a forma mais grave ou a forma transmissível da doença.
Um cenário epidemiológico dos mais preocupantes.
Esses resultados foram apresentados no mês de setembro de 2022 a todas as autoridades públicas políticas e sanitárias do estado e dos municípios visitados, amplamente divulgados na mídia e o relatório consolidado entregue aos organismos de controle social, das leis e de contas para fins de acompanhamento e cobranças.
Tendo então deixado no início deste ano à gestão superior dessa fundação de saúde, e, jamais podendo me omitir enquanto servidor da saúde ainda que aposentado, assumi à presidência do Instituto PROPELE da Amazônia, uma entidade do Terceiro Setor.
O PROPELE foi instituído como Polo da Saúde e cuja missão e objetivos estão consubstanciados em ajudar a criar e executar projetos e programas na área da dermatologia sanitária e HIV/AIDS.
A par então da criação dessa entidade e diante do grave e desafiador cenário epidemiológico da Hanseníase, idealizei o projeto PROPEELI+Hans-Programa de Parceria para Enfrentamento e Eliminação da Hanseníase no Estado do Amazonas.
Desta feita, o PROPEELI+Hans vai atuar direcionando suas forças e inteligência técnica e operacional para cuidar do enfrentamento da Hanseníase em populações indígenas e crianças menores de 15 anos.
Logicamente que não será uma atuação de busca ativa, tratamento, cura e acompanhamento exclusivo para essas camadas da população posto que a gravidade da endemia atinge a todas as idades e raças indistintamente.
Tratando-se então de um programa de parceria, estamos visitando empresas, empresários, entidades privadas, ministérios das áreas sociais, parlamentares, benfeitores nacionais e internacionais, a fim de que, sensibilizados com a problemática, possam se irmanar ao Instituto PROPELE financiando as ações do PROPEELI+Hans e juntos possamos avançar sobre os municípios definidos epidemiologicamente em cenários mais preocupantes da doença.
Já obtivemos a confirmação da primeira e efetiva parceria com um Importante grupo que agrega comunicação, educação, saúde e informática, e já avançamos nas tratativas para a transferência dos recursos financeiros para aplicação no programa.
Essas parcerias vão muito além de uma simples doação ou patrocínio.
Trata-se substancialmente de investimento com retorno assegurado não somente em vantagens fiscais e tributárias mas, sobretudo, na execução de projetos lincados à responsabilidade social e ambiental, dando visibilidade ao promover o nome dessas empresas vinculando-as com a realização de projetos humanitários.
Os objetivos geral e específicos e as metas a serem alcançadas estão devidamente delineadas no projeto e, até o final desse semestre, já estaremos em campo com uma equipe multiprofissional atuando no primeiro município do nosso estado.
Que Deus nos ajude e oriente nessa jornada, que mais parceiros se comprometam em financiar o programa e que possamos juntos e irmanados enfrentarmos a Hanseníase de cabeça erguida, com capacidade operacional e, sobretudo, sabedores que somos capazes de eliminar essa doença que insiste em resistir no meio da nossa gente especialmente as mais vulneráveis social e economicamente.
Té logo!
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