Oscar Ramos não resiste ao AVC e parte aos 80 anos

Prefeitura de Manaus irá decretar luto oficial por três dias pela morte do artista plástico Óscar Ramos, aos 80 anos, ocorrida às 5h50 da manhã desta quinta-feira, 13/6, no Hospital Beneficente Portuguesa, Centro, onde estava internado desde o dia 5 de junho, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O velório será realizado a partir das 16h, no Centro Cultural Palácio Rio Negro, na avenida Sete de Setembro, Centro Histórico da capital.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), em nome de todos os servidores municipais, lamentou profundamente a morte do artista que atuava como curador do Paço da Liberdade, prédio histórico que abriga o Museu da Cidade de Manaus.

“Dono de uma inteligência mordaz e generosa, Óscar Ramos era uma figura extremamente criativa e genial. Estivemos acompanhando toda a sua internação e foi com muita tristeza que eu e minha esposa Elisabeth Valeiko Ribeiro recebemos a notícia de sua morte. O Brasil e o mundo perdem um dos principais nomes das artes visuais”, disse o prefeito.

Reconhecidamente um dos maiores nomes da arte contemporânea do Brasil, nascido no Amazonas, Óscar Ramos possui uma longa trajetória composta por mais de 60 anos de produção, marcada pelo experimentalismo de apelo universal.

“Óscar é e será para sempre um ícone da arte amazonense. Tê-lo com a gente na Manauscult durante todos esses anos foi uma grande honra, selo de qualidade e merecimento nosso, não apenas pelo convívio tão generoso de quem realizava, criava, provocava e ensinava, mas sobretudo pelo seu olhar absurdamente estético e criativo, muitas vezes transgressor. Óscar Ramos permanecerá instigando nossa equipe levando-nos a novas descobertas e olhares sobre a arte”, comentou o diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Bernardo Monteiro de Paula.

O vice-presidente da Manauscult, José Cardoso, amigo pessoal de Óscar e que esteve presente nos últimos momentos de vida do artista, destacou a grandiosidade da vida e obra de Óscar. “Por mais que eu tenha convivido intensamente nestes últimos vinte anos, chego à conclusão que não tenho a resposta. Poderia dizer que é Óscar é um artista visual maravilhoso, um premiado diretor de arte, um design como poucos, um reconhecido cenógrafo, um curador que fez história entre seus pares. Como todo gênio, Óscar Ramos é capaz de ir aos seus extremos no tempo da verdade de um piscar de olhos e de encantar a todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo”, disse emocionado.

Biografia

Nascido em Itacoatiara, interior do estado do Amazonas, distante a 269 quilômetros de Manaus, Óscar Ramos foi um dos principais nomes das artes visuais no Brasil, tendo, inclusive, realizado trabalhos com grandes nomes da música brasileira, assinando capas de discos de Caetano Veloso, Maria Betânia, Gilberto Gil e Gal Costa, por exemplo, além de trabalhos premiados no exterior.

Óscar Ramos estudou Pintura Livre com Ivan Serpa, ícone do Construtivismo, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, nos anos 1960. Na década seguinte, ao lado de Luciano Figueiredo, desenvolveu uma arte que fugiu dos suportes tradicionais e ganhou espaço em cartazes e capas de livros e discos. Trabalhou ainda na concepção visual da célebre revista “Navilouca” (1972), idealizada por Torquato Neto e Waly Salomão, e reunindo nomes como Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Caetano Veloso e outros.

Óscar participou de eventos como a Bienal Internacional de São Paulo (1969 e 1970) e a mostra “Diversidade na Arte Contemporânea Brasileira”, em Paris (2005). Atuou como curador de diversas exposições regionais e nacionais.  Teve uma carreira prolífica também no cinema, atuando como diretor de arte em filmes diversos, entre eles “O Gigante da América” (1978), de Júlio Bressane.

Em 2018, Óscar foi homenageado com a exposição “Poemas Visuais e Retrospectiva”, que reuniu obras de diferentes períodos da carreira do artista

GOVERNO TAMBÉM SE MANIFESTA

O Governo do Amazonas manifestou profundo pesar pelo falecimento do artista plástico Óscar Ramos.

“Ao longo de uma carreira de mais de 60 anos, Óscar não apenas associou seu talento extraordinário ao nome do Amazonas, como também colaborou imensamente para valorizar as Artes no Estado e aproximá-las do público amazonense, tendo sido coordenador do Centro Cultural Palácio Rio Negro, nos anos 1990, e tendo organizado o novo roteiro da Pinacoteca do Estado. Sua morte é uma dolorosa perda para a nossa cultura, para a nossa arte”, declarou o governador Wilson Lima.

“A partida do Óscar deixa uma lacuna na história da cultura amazonense. Ele sempre foi uma pessoa comprometida com o Amazonas, por todos os lugares onde andou, levou a sua arte e também o nome do nosso Estado”, afirmou o secretário de Cultura do Amazonas, Marcos Apolo Muniz.  “Sua obra ficará como uma parte dele que ainda estará entre nós. Como todo artista, tem uma alma iluminada e essa partida nos comove, nos emociona! Fica nosso carinho, nosso respeito e nossa memória por Óscar Ramos”.

Na SEC, ele foi membro do Conselho Consultivo de Cultura, de 1995 a 2003; coordenador do Centro Cultural Palácio Rio Negro, de 1997 a 1998; e coordenador da Assessoria de Audiovisual e Film Comission, de 2005 a 2010. Em 2018, organizou o novo roteiro da Pinacoteca do Estado do Amazonas.

O velório de Óscar Ramos será realizado a partir das 16h, no Salão Nobre do Centro Cultural Palácio Rio Negro, na avenida Sete de Setembro, 1.546, Centro.

Foto – Marinho Ramos

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