Os bastidores do fim da greve dos rodoviários: em sua despedida, Marcel se agigantou

Quando o dia amanheceu, ontem, e os ônibus não saíram das garagens, o superintendente municipal de Transportes Urbanos, vereador Marcel Alexandre (PMDB), que já havia anunciado a saída do cargo, revelou enorme espírito público. Mesmo demissionário, ele telefonou para os dirigentes do Sindicato dos Rodoviários e para os dirigentes do Sinetran, para intermediar um acordo. Foi ali, numa conferência telefônica, que ocorreram os momentos mais tensos do dia, que conduziram ao acordo selado à tarde, na Prefeitura.

Por volta das 9h, Marcel ligou para o prefeito, afirmando que conseguira um pré-acordo. Queria que o chefe desse o aval. Arthur Neto, então, deu o golpe de misericórdia no movimento paredista: exigiu o fim da greve, para avalizar a conversa intermediada pelo superintendente. Uma hora depois, os ônibus começaram a sair da garagem.

A primeira conferência, ocorrida antes das sete da manhã, foi tensa, com acusações de parte a parte. Ao final de mais de meia hora de discussão, as duas partes decidiram ceder em alguns pontos. O reajuste de 12%, que os rodoviários reivindicam, vai ser avaliado pela Justiça do Trabalho e o que for decidido será acatado por todos.

Para que o acordo não ficasse apenas na palavra dos dois lados, Arthur exigiu a redação de um documento, que foi assinado na frente da imprensa no início da tarde, na Prefeitura de Manaus. Ali se concordava em acabar com o impasse sobre o dissídio salarial, encaminhando-o à justiça.

“Nós temos feito o possível para profissionalizar o setor e torná-lo forte. Agora, cabe a cada uma das partes cumprir com seu dever. Manaus precisa ter mantido o sagrado direito de ir e vir de seus habitantes”, disse o prefeito.

“Esse documento jurídico vai legalizar o julgamento do dissídio coletivo, garantindo o pagamento retroativo, caso o julgamento demore. Era só isso que a categoria queria”, explicou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Gilvancir Oliveira.

Marcel Alexandre deixa o cargo de superintendente da SMTU nesta sexta-feira, 30. Ontem, na fase final de negociação, um dos participantes da mesa chegou a brincar, perguntando ao prefeito se não seria possível colocar como uma cláusula do acordo a continuidade do vereador no cargo, arrancando risadas dos demais negociadores.

O vereador decidiu pela saída, um mês depois de assumir a função, por causa do rompimento da aliança de seu partido, o PMDB, com o PSDB do prefeito Arthur Neto. “Vou estar na campanha do meu candidato a governador (o senador Eduardo Braga). Não gostaria de constranger o prefeito, que apoia outra candidatura (a de Amazonino Mendes)”, explica Marcel.

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta