Orçamento estadual e outras barbaridades

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Com a cassação do governador que mais cometeu atrocidades eleitorais na história do estado, assumiu provisoriamente o poder o presidente da Assembleia, Deputado David Almeida, o qual, antes de se imaginar ocupante efêmero do cargo de mais alta relevância no estado, atirou-se de cabeça no mandato levado por extrema vaidade e acossado por seus pares ávidos por quererem implantar uma breve “república assembleiana” e, o que se assiste, é um festival de desmandos e barbaridades protagonizadas por quem jamais se preparou para chegar, ainda que brevemente, no mais alto escalão do poder executivo.

Fato relevante desse capricho político e assombroso desmando cometido pelos deputados amigos do governador os quais dividem com ele nessa altura do campeonato o mandonismo, foi a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias -LDO, normativa que dispõe entre outras coisas, sobre a divisão do bolo orçamentário entre os poderes e organismos os quais compõem a estrutura responsável pela execução das políticas públicas necessárias à efetivação dos serviços prestados à população.

Numa medida que não encontra parâmetro algum na história orçamentária do estado, o poder legislativo resolve retirar dinheiro do Poder Executivo para si mesmo, para o Poder Judiciário, para o Ministério Público e para a Defensoria Pública, numa atitude questionável e temerária especialmente no momento em que o executivo que possui as maiores obrigações a realizar, encontra-se em graves dificuldades para sustentar principalmente as demandas da saúde e da segurança e a folha de pagamento dos servidores.
Sabidamente o nosso parlamento é um poder inoperante, o judiciário é um poder perdulário e o MP até aqui não disse a que veio para merecer aumento de receita.

Os nobilíssimos deputados cometem essa atrocidade contra o orçamento estadual e contra o povo, exatamente às vésperas de um ano eleitoral para engordar suas verbas de gabinete, seus salários e aquela vergonhosa grana que banca aviões, gasolina, sinecuras, restaurantes, faculdades para os seus apaniguados, entre outras mordomias.

Sei o quanto a classe política com honradíssimas exceções é incapaz de refletir com seriedade sobre as reais aspirações e demandas do povo. Não seria dessa vez que esses senhores agiriam com a grandeza que se esperaria deles.

Não poderia jamais deixar de aproveitar a oportunidade para tratar nesse artigo de mais uma aberração cometida pelos membros do parlamento estadual e o faço, republicando abaixo, uma postagem que fiz na minha página do Facebook onde despejo toda a minha indignação para com o tratamento desigual e desumano que os poderes vêm dispensando aos trabalhadores da saúde do estado. Leiam:

MAIS UM GOLPE CONTRA OS SERVIDORES DA SAÚDE

Uma vergonhosa atitude dos nossos deputados contra um executivo falido: tiram dinheiro da saúde, da segurança e da educação para si próprios um poder mergulhado em artimanhas e tramoias, para uma justiça perdulária e para um MP ineficiente. Enquanto isso, o TCE com as contas correntes bamburrando continua intocável.

Pra piorar a situação, o governo assina as promoções da PM, Bombeiros e P. Civil (que teve o vale alimentação aumentado para R$600,) enquanto que os servidores da saúde estão há sete anos sem promoção, há quatro anos sem reposição salarial e perderam há dois anos o vale alimentação.

E o governo há sete meses se recusa a receber os sindicatos e associações da saúde para uma conversa. Vai ter troco!

Té logo!

*O autor é farmacêutico e empresário

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