Operação do Ministério Público prende oito policiais militares e um perito da Polícia Civil envolvidos em crimes e integrantes de milícia. Saiba quem são eles

No início da manhã desta terça-feira (29/07), o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou a operação “Militia”, com objetivo de investigar o envolvimento de policiais e de um perito com formação de milícia e crimes de roubo e extorsão mediante sequestro. A coordenação foi de responsabilidade da 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (Proceapsp), com mobilização de 150 policiais e apoio do Centro Operacional de Inteligência, Investigação e Combate ao Crime-Organizado (Caocrimo) e das Polícias Civil e Militar do Amazonas.

Os presos são Júlio de Almeida Lima Filho, tenente PM aposentado, Alerson de Almeida Lima, lotado na 23ª Cicom, Marcílio B. Pantoja (Força Tática), André Luiz Silva de Sá (Força Tática), Alijhone C. Gouveia (Força Tática), Augusto César V. Guimarães (Força Tática), João Bosco de Assis Alves (Cavalaria), Eldon Nascimento de Sousa (CPA Sul) e M.A.F. de A., perito da Polícia Civil que não teve o nome completo revelado por estar servindo como delator para novas prisões.

A operação cumpriu nove mandados de prisão, sendo oito de prisão preventiva contra policiais militares e um de prisão temporária contra um perito da Polícia Civil. Também foram realizados 16 mandados de busca e apreensão. As operações ocorreram nas residências dos policiais e no Batalhão da Força Tática, localizado no Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), bairro Praça 14, zona sul da cidade.

Para compartilhar mais detalhes, o MPAM realizou coletiva com as presenças do promotor de Justiça Armando Gurgel Maia, titular da 60ª Proceapsp; do promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, coordenador do Caocrimo; do coronel Klinger Paiva, comandante-geral da PMAM; e do coronel José Corrêa Júnior, diretor de Justiça e Disciplina da PMAM.

A investigação foi instaurada após um sequestro realizado no bairro Manoa, em fevereiro de 2025. O episódio, registrado por populares e amplamente divulgado na imprensa, passou a ser investigado pela 60ª Proceapsp em virtude da suspeita do envolvimento de policiais na ocorrência. Durante a apuração, a promotoria localizou duas outras vítimas do grupo criminoso, das quais foram extorquidos cerca de R$ 300 mil.

“A partir desses dois fatos, conseguimos fazer o levantamento das ações e a identificação dos envolvidos. As investigações ainda continuam, com o objetivo de alcançar outros eventuais participantes dessa trama criminosa”, declarou o promotor Armando Gurgel.

Os suspeitos tinham como alvo pessoas envolvidas com atividades criminosas e familiares de envolvidos, com fins de vantagem econômica e subtração de pertences, como joias e itens de valor. A investigação busca rastrear o dinheiro e os objetos roubados, bem como apurar a rota desses pertences para localizar novos envolvidos e ressarcir as vítimas.

A operação apreendeu 14 pistolas, um revólver, três fuzis, um fuzil de airsoft, 653 munições, 14 celulares, três veículos e R$ 10.695, em espécie. Os armamentos serão periciados e incluídos no Banco Nacional de Balística, para identificar se foram utilizados em crimes de homicídio.

“Estamos investigando a possibilidade de que mais pessoas tenham sido vítimas, e com a divulgação, agora, sabendo que os agentes estão presos, tenham coragem de vir denunciar ao MP outras ações desse grupo. Diariamente, o Ministério Público exerce essa atividade de controle externo da atividade policial e, em decorrência disso, conseguimos realizar essas ações de investigação e apreensão de grande quantidade de armamento”, comentou o promotor de Justiça.

À imprensa, o coronel Klinger Paiva, comandante-geral da PMAM, reforçou o apoio da corporação à operação do MP. “Desde o inicio, a PMAM tem apoiado essa ação para que tudo seja esclarecido. Esses oito policiais militares não representam seis mil homens da corporação”, afirmou.

A operação “Militia” ainda contou com o apoio de setores especializados das Polícias Civil e Militar do Amazonas, no caso a Diretoria de Justiça e Disciplina da Polícia Militar (DJD-PM), a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil (Core/PC), o Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc) e o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

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