Operação deflagrada em ano eleitoral, colocando holofote sobre assessora de provável candidato a governador, gera várias especulações. Veja a decisão judicial e tire suas conclusões

A Operação Erga Omnes, deflagrada ontem pela Polícia Civil do Amazonas, mirava numa suposta organização criminosa que lavava dinheiro da facção criminosa Comando Vermelho (CV), mas alguns detalhes estão chamando atenção. O primeiro deles é o destaque dado à prisão de Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), às vésperas do anúncio da candidatura dele ao Governo do Estado nas eleições deste ano. O blog teve acesso à decisão judicial que permitiu as buscas e as detenções. Nela o vínculo da funcionária pública com os traficantes não fica muito claro. O que se menciona é uma transferência financeira, sem detalhamento sobre a relação com a organização.

A legislação brasileira exige fundamentação sólida, individualizada e baseada em fatos concretos para justificar a privação de liberdade antes de condenação. No entanto, não há divulgação objetiva de provas robustas, nem notícia de apreensão de celular ou dispositivos que indiquem articulação criminosa. A ausência de transparência fragiliza a narrativa oficial e alimenta a percepção de que a medida pode ter sido desproporcional. Prisão preventiva não é instrumento de pressão nem espetáculo — é exceção.

O contexto político torna tudo ainda mais sensível. David Almeida deve se desincompatibilizar para disputar o Governo do Amazonas e aparece como nome competitivo. A prisão de uma ex-integrante de seu núcleo mais próximo projeta efeitos políticos imediatos. Se há provas contundentes, elas precisam ser apresentadas com clareza e dentro da legalidade. Caso contrário, a operação corre o risco de ser vista não apenas como ação policial, mas como instrumento de interferência no jogo eleitoral — algo incompatível com o Estado Democrático de Direito.

Veja a íntegra da decisão judicial:

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