O que não faz um bom líder

Por Valdez Monterazo*

Muitas vezes para se entender algo é necessário que se explore seu antagonista, neste caso, vamos falar sobre comportamentos de uma liderança indesejada, ou seja, os pecados capitais da liderança.

Você já deve ter escutado ditados populares como esse: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo.” Ou até mesmo algo do gênero: “Aqui fazemos assim, se não gostar, pode procurar seu caminho”

Acontece que, muitas vezes, nesses ditados estão refletidas as crenças e a cultura das pessoas. Nos casos mencionados, uma cultura negativa em relação à liderança.

Já se foi o tempo em que uma liderança truculenta e disfuncional trazia resultados duradouros para as empresas, se é que em algum momento realmente trouxeram. Hoje, atuar nesse modelo é quase certeza de desengajamento e rotatividade de funcionários.

E o que isso tem a ver com o líder ou empresário? Tudo.

Rotatividade e desengajamento são dois venenos, pois, trazem junto de si três grandes perdas para as empresas: altíssimo custo de  contratação e demissão, principalmente no Brasil; fuga do capital intelectual, pois muitas vezes vai com o funcionário o conhecimento do setor; improdutividade, pois pessoas insatisfeitas tem baixa performance a longo prazo. Dito isso, fica a seguinte questão: o que não faz um bom líder?

A Síndrome do Macho Alpha

Para responder isso, recorro a uma grande autora internacional, a Kate Ludeman e seu livro “A Síndrome do Macho Alfa”, que foi usado como base para todo um segmento de atuação dentro do Coaching Executivo, chamado de Alpha Coaching. Em seu livro, Kate explica que existem dois perfis comportamentais distintos de liderança, cada uma com características distintas.

– Liderança Alpha, que tem por características um senso de urgência aguçado, o foco em resultados e assertividade em suas ações.

– E também, a Liderança Beta, cujas principais características são a diplomacia, a discrição em buscar resultados e a prudência em relação aos riscos.

Explicando um pouco mais, existem desafios específicos comportamentais, ou riscos, em cada um dos perfis Alpha e Beta, eles se assemelham muito com as citações populares do início do artigo. Quando são controlados e mitigadas, eles potencializam muito a atuação do líder.

Quais são os pecados capitais da liderança?

Competitividade Extrema

Uma competitividade saudável é positiva à equipe, quando ela está fora de controle é terrível. Líderes com esse risco acentuado competem com os próprios subordinados e acabam com a performance do time.

Impaciência

Impaciência é a antítese de um saudável e produtivo senso de urgência, o que ele traz na verdade, é o stress e desengajamento dos liderados.

Agressividade

Talvez a agressividade seja o maior causador de causas trabalhistas, além do prejuízo desnecessário, existe um ponto ainda mais impactante. Atitudes agressivas NÃO TRAZEM RESULTADOS DURADOUROS.

Passividade

Passividade, por sua vez, também é um mal. Existe uma diferença muito grande entre ser passivo e ser discreto, passividade é quando deixamos passar oportunidades pela inação.

Falta de posicionamento

Líderes precisam tomar decisões a todo momento, a falta de posicionamento está relacionada a incapacidade de tomar decisões importantes.

Paralisia pelo medo

Ela ocorre quando o medo de determinadas consequências rouba a capacidade de agir e pensar. A paralisia pelo medo é a sombra de uma saudável prudência.

Os três primeiros riscos são comuns em líderes com o perfil Alpha e os três últimos de perfil Beta.

Você se identificou com algum desses riscos? Saiba que os mitigar é um dos maiores desafios quando se fala em desenvolver uma liderança de excelência.

Tomar consciência dos próprios riscos é um dos passos para uma liderança mais assertiva e focada em resultados. Executivos e empresários do mundo todo potencializaram sua atuação ao conseguirem controlar seu ímpeto, e com isso, muito mais engajamento de seus liderados, e naturalmente, resultados empresariais.

Um dos pontos iniciais, e mais importantes, de um trabalho de Executive Coaching é exatamente avaliar e promover consciência desses elementos, a partir disso, ajudar a promover mudanças comportamentais positivas para uma gestão mais eficaz.

Espero que você também possa eliminar ou mitigar os pecados capitais da liderança em sua gestão e elevar o engajamento e lealdade de seus liderados.

*Associado sênior na Sociedade Brasileira de Coaching

 

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